Cerca de 1 milhão de pessoas sofrem de diabetes no Paraná, mas boa parte dos portadores da doença desconhece ter índices de açúcar no sangue acima do normal. Esta realidade foi lembrada ontem em Curitiba pelo secretário municipal de Saúde Luciano Ducci, durante o lançamento da Campanha Nacional de Diabetes. ‘‘Quando acontece o diagnóstico no início, a diabetes pode ser controlada com mais facilidade’’, alertou Ducci.
Segundo ele, somente em Curitiba devem existir 45 mil diabéticos com mais de 40 anos de idade. Mas pouco mais da metade – 25 mil – recebe tratamento e acompanhamento pelo sistema público de saúde. O lançamento aconteceu na Boca Maldita, onde centenas de pessoas com mais de 40 anos fizeram o exame de detecção da doença. Cerca de 10% da população nessa faixa etária é portadora de algum grau de diabetes (leve, moderada ou grave).
Em Brasília, presidente Fernando Henrique Cardoso convocou os brasileiros com mais de 40 anos a participarem da campanha lançada pelo Ministério da Saúde e disse que muita gente sabe ter a doença mas não se cuida. ‘‘Ela pode causar cegueira, problemas nos rins e até amputações. Hoje, já é considerada a sexta causa de mortes no País’’, alertou o presidente, no seu programa semanal de rádio.
O exame de detecção será realizado em praticamente todas as cidades do País gratuitamente até dia 31 de março. Mas em Ponta Grossa, no Paraná, a campanha ainda não tem data para chegar. A 3ª Regional de Saúde não recebeu o material para a realização dos exames de sangue nem os folhetos informativos. Sem o material, a campanha não começa. Apesar da indefinição, a Secretaria Municipal de Saúde já está se organizando para colocar a campanha nos postos de saúde.
Em Curitiba, todos os postos de saúde estarão fazendo o teste de nível de açúcar no sangue, que é feito em menos de um minuto e cujo resultado sai na hora. Se o índice de açúcar ficar abaixo de 140 microgramas por decilitro de sangue o resultado é considerado normal. Se for superior a pessoa deverá fazer exames mais detalhados para atestar o grau de diabetes e a melhor forma de tratamento.
A maioria dos 25 mil diabéticos de Curitiba tratados pela rede municipal tem nível leve da doença. ‘‘Grande parte dos portadores consegue controlar a diabetes apenas com dieta e exercícios físicos’’, informou o secretário Luciano Ducci. Se a diabetes não for detectada no início e tratada pode evoluir para infecções que não se curam, amputação de membros, problemas de visão, nos rins e fraqueza.
Para o prefeito Cassio Taniguchi (PFL), a campanha nacional é importante porque prioriza a prevenção. ‘‘Vamos investir sempre em detecção precoce de doenças como diabetes, hipertensão, câncer ginecológico e outras doenças.’’ Taniguchi também fez o exame ontem. O nível de açúcar no sangue dele estava em 81 microgramas por decilitro, considerado normal.
O motorista desempregado Daniel Amarildo da Silva, 38 anos, foi um dos primeiros a fazer o exame ontem, em Curitiba. Ele apresentou nível de açúcar no sangue normal. Ele é obeso, tem vida sedentária, e disse que sempre faz o exame por considerar que tem todas as chances de contrair a doença.
Já o aposentado Antonio Pereira da Silva, 74 anos, teve diagnóstico positivo de diabetes. Seu exame apontou 185 microgramas por decilitro, acima do nível máximo de 140. ‘‘Esse não é o meu primeiro exame, nos outros também tinha dado um pouco alto. Mas agora vou ter que procurar o tratamento no posto de saúde’’, disse.

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