SAÚDE - Brasil vai produzir remédio para prematuros
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quinta-feira, 07 de abril de 2005
Ana Flor<br>Folhapress 
Brasília, DF - O Brasil se prepara para produzir e distribuir na rede pública um medicamento que pode evitar a morte de cerca de 12% dos bebês prematuros. Chamada de surfatante, a substância trata a Doença Pulmonar da Membrana Hialina, que associada à prematuridade é responsável pela maioria das mortes neonatais. A produção é pesquisada pelo Instituto Butantã, em São Paulo.
Ontem, Dia Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde anunciou o início de um ensaio clínico para validar o surfatante nacional. Por ter um custo alto, a versão importada é utilizada por uma parcela muito pequena dos prematuros. A estimativa é de que 63.000 bebês no país _30% de todos os prematuros_ deveriam receber o tratamento a cada ano.
O ensaio com 2.000 crianças terá a duração de 18 meses. Será coordenado pela Unidade de Pesquisa Experimental do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP. O custo é estimado em R$ 1,4 milhão. O surfatante utilizado é uma substância expelida por células alveolares pulmonares de suínos.
A expectativa do governo é que a aprovação e industrialização do surfatante brasileiro possa reduzir seu custo em 33%. Segundo o Secretário Nacional de Atenção à Saúde, Jorge Solla, o ministério não tem controle do preço porque o tratamento é dividido com municípios e Estados. Segundo estimativas, o tratamento custa em média R$ 800,00 por criança.
''Nós certamente vamos aumentar os gastos com o medicamento, mas porque iremos atender um número muito maior de crianças'', disse Solla.
A atriz Letícia Sabatella, que participou da cerimônia em comemoração à data, em Brasília, deu um testemunho de como o uso do surfatante ajudou na sobrevivência de sua filha Clara, que nasceu prematura.
Pacto
O bem-estar materno e infantil foi o tema escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial da Saúde deste ano. Cerca de 4 milhões de recém-nascidos com menos de 28 dias morrem em todo o mundo.
No Brasil, morrem a cada ano mais de 2.000 mulheres e cerca de 38 mil recém-nascidos por complicações na gravidez, aborto, parto ou pós-parto. Para diminuir os números, o Ministério da Saúde lançou um pacto nacional que pretende diminuir em 15% os atuais índices de mortalidade materna e neonatal até 2007.
O ministro Humberto Costa (Saúde) assinou duas portarias, uma instituindo a Semana da Saúde no Brasil, de 2 a 7 de abril de cada ano, e criando uma premiação para municípios que estimulam o aleitamento materno. Foi anunciada ainda a ampliação no acesso ao tratamento de asma e rinite pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Em comemoração à data, o presidente da República em exercício, José Alencar, sancionou um projeto de lei que garante às mulheres o direito a acompanhante durante parto e pós parto no ambiente do SUS (ver texto na página).


