Saturação de lixões preocupa municípios
Marcos Zanatta
O esgotamento do sistema de destinação final do lixo, depositado a céu aberto em vários municípios da região de Maringá, vem preocupando o poder público. Em alguns casos, os lixões estão com a capacidade esgotada, apresentando um risco ainda maior ao meio ambiente. Nos últimos dois anos, algumas prefeituras iniciaram estudos para a implantação em conjunto de aterros sanitários controlados. O Consórcio Intermunicipal da Região de Maringá (Ciderma), tentou financiar a construção de um aterro entre Ângulo e Iguaraçu (34 km ao norte de Maringá).
O aterro serviria os dois ou até mais municípios, mas o projeto continua na gaveta por falta de recursos. A situação mais grave é a de Maringá. A prefeitura recolhe 270 toneladas de lixo por dia, que vão direto para o lixão. No local, mais de 200 catadores garimpam o lixo, inclusive à noite. O lixão tem mais de 30 anos e, apesar do esforço do poder público, não há condições de reverter a situação do lixo de Maringá. No mês passado, o prefeito Jairo Gianoto (PSDB) foi até a Alemanha, país onde a destinação final de lixo é modelo, conhecer a tecnologia empregada no setor.
Junto com prefeitos de 16 cidades de porte, Gianoto conheceu usinas que seriam ideais para o problema não apenas de Maringá. A troca de informação com os especialistas vai nos auxiliar em projetos que melhores as condições atuais, diz o prefeito.
O secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente de Maringá, Hamilton Cardoso, lembra que apesar do lixão, o município vem trabalhando no sentido de reduzir o impacto ambiental do lixo a céu aberto. O problema é que a cidade tem crescido muito e o volume de lixo cresce junto, justifica. Nos últimos oito anos, a coleta praticamente dobrou.
O primeiro trabalho realizado com o lixo, a reciclagem em bairros, começou há cerca de seis anos, com a criação da Secretaria de Meio Ambiente. No início, apenas os funcionários municipais foram incentivados a participar, trocando lixo separado por leite. O projeto já chegou a vários bairros e empresas, recolhe em torno de 100 toneladas ao mês, e beneficia centenas de famílias. Apenas no Conjunto Requião, um dos mais pobres de Maringá, aproximadamente 250 famílias trocam lixo por verduras e legumes uma vez por semana.
Cardoso diz que além de melhorar a alimentação dos moradores, o bairro fica mais limpo, evitando inclusive que o lixo entupa as galerias pluviais, o que é comum por toda a cidade. O programa de reciclagem, segundo ele, pretende conscientizar os moradores da importância de separar o lixo. Foram instalados dois pontos de coleta, um no centro e outro no Jardim Alvorada, bairro mais populoso de Maringá. O central, em frente ao Parque do Ingá, rendeu mais de 3 mil contêineres no ano passado.
O material coletado vai todo para a usina de reciclagem, onde é separado e armazenado. A cada três meses é feito um leilão e o dinheiro destinado à manutenção do projeto. A população mostra disposição para entregar o lixo separado, mas não já trabalhamos no limite, lamenta Cardoso. Mesmo que uma outra usina que a prefeitura possui seja ativada, o problema do lixão persiste.
Para Cardoso, a saída é implantar um aterro controlado. Mas por causa do volume o custo é elevado e estamos estudando formas de concretizar o projeto, afirma. Por enquanto, a secretaria tem amenizado o problema aterrando o lixo. Cardoso explica que depois de espalhado o lixo é coberto por entulhos de construção. O que não resolve mas melhora bem, diz.Situação mais grave é a de Maringá; prefeitura recolhe 270 toneladas de lixo por dia, que vão direto para depósito a céu aberto
Fotos: James NegriniO lixão de Maringá recebe aproximadamente 270 toneladas de lixo por dia e atrai mais de 200 catadoresFonte de rendaLixo reciclado e separado em usina é vendido para manter programa que beneficia centenas de famílias





