Satélites registram aumento de queimadas
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segunda-feira, 30 de julho de 2001
Agência Estado De Campinas, SP 
Os satélites da série NOAA registraram 1.809 focos de fogo entre os dias 22 e 28 de julho, cerca de 42% a mais do que os 1.269 da semana anterior. As queimadas se concentraram nos Estados do Tocantins, Maranhão, Pará e Piauí, com altos índices também no extremo-oeste da Bahia. Nos Estados amazônicos o aumento já era esperado, porque ocorre todos os anos neste período, com o início da estação seca. Mas no sertão nordestino os números estão altos demais. Lá, as maiores concentrações normalmente começam em fins de outubro e início de novembro.
No Tocantins, a maioria das queimadas se distribuiu a leste do Rio Tocantins, em quase toda a divisa com o Maranhão e a Bahia. No Pará, as piores concentrações foram entre o Rio Xingu e a rodovia Cuiabá-Santarém, no sul do Estado, e ao longo da Belém-Brasília, de Itinga a Paragominas. No Piauí e Maranhão, os focos de fogo tomaram as zonas mais secas, no centro e no sul dos Estados.
Fora desta região mais castigada, os satélites registraram uma alta concentração também no interior de São Paulo, na região de Barretos, e no norte do Mato Grosso, entre Alta Floresta e a Cuiabá Santarém.
Alguns protocolos municipais foram assinados e outros renovados, no Mato Grosso, entre organizações não-governamentais (ONGs), produtores e prefeituras. Os protocolos são acordos, com apoio técnico e treinamentos, para a diminuição das queimadas agrícolas.
Segundo o prefeito de Guarantã do Norte, Lutero Siqueira, no ano passado, o acordo permitiu a diminuição de 83% das queimadas no município, reduzindo em 50% a necessidade de atendimento de crises respiratórias nos hospitais, no período seco. Este ano, o protocolo de Guarantã já foi renovado.
A ONG Amigos da Terra firmou um novo acordo com o assentamento Vale do Seringal, em Castanheira, onde há 650 famílias distribuídas em 36 mil hectares. No mês de agosto, deverão ser assinados protocolos semelhantes nos municípios de Paranaita, Alta Floresta e Juína.
O Ministério da Agricultura também tem um programa de substituição das queimadas agrícolas por outras tecnologias, que, neste ano, conta com informações sobre as condições reais de umidade dos diversos solos brasileiros, para tornar os mapas de risco de fogo mais precisos. As informações estão no balanço hídrico elaborado pela Embrapa Monitoramento por Satélite, que ainda produziu uma série de CD-Roms com imagens atualizadas do satélite Landsat, para ajudar a identificar o tipo de vegetação ou agricultura que está queimando, e, assim, ajustar o programa de substituição.


