Satélites Noaa revelam que queimadas registradas este ano são semelhantes às observadas em 98
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 01 (AE) - As queimadas que estão consumindo boa parte das pastagens da região central do Brasil são semelhantes as dos anos anteriores. Os satélites da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa), órgão dos Estados Unidos, têm mostrado, até o momento, uma pequena diferença entre os focos de calor observados no ano passado. Segundo a chefe da Divisão de Observação da Terra, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Thelma Krug, dificilmente se poderá saber qual a extensão das áreas afetadas pelos incêndios. "Os satélites Noaa são limitados neste sentido", explicou.
As queimadas neste período de estiagem estão longe de provocar danos ambientais semelhantes aos ocorridos em Roraima, porém afetam regiões com elevados índices de degradação, como o cerrado. Esse tipo de cobertura vegetal é um dos mais atingidos pela ação do fogo e corre grandes riscos de extinção, maiores até que da floresta amazônica. Segundo o Inpe, a maioria das áreas afetadas tem sua cobertura vegetal formada por pastagens e utilizadas para agricultura.
O satélite Noaa consegue detectar focos de calor com baixa resolução de imagem. A cobertura do território brasileiro é feito por dois equipamentos Noaa, que passam sobre o País nos períodos da tarde, feito pelo Noaa-14, e nas madrugadas, registrado pelo Noaa-12. O registro noturno é mais preciso que o diurno, pois consegue ter maior precisão na identificação do fogo. O Noaa-12 identificou no ano passado, entre junho, julho e agosto, 43 mil focos de calor. Neste ano, foram 47 mil.
Essa diferença, entretanto, não chega alarmar os cientistas. Os incêndios estão ocorrendo em sua grande maioria em localidades que sempre registram esse tipo situação no período de inverno. No ano passado, o Noaa-14 registrou 12.7 mil focos de calor em junho e 43.1 mil em julho. Neste ano, houve uma surpreendente diminuição. Em junho foram 6.6 mil focos e no mês seguinte, 20.8 mil. "Não estou percebendo até agora nenhuma anomalia neste processo de queimadas", explicou a cientista.
Segundo Thelma Krug, a entrada do satélite sino-brasileiro Cbers no espaço, prevista para meados de outubro
possibilitará o cálculo das áreas afetadas pelo fogo nesta época do ano. Esse equipamento terá câmeras especiais para registrar tanto a Amazônia como a região centro-oeste do País. O uso das imagens do satélite Landsat são descartadas neste processo pois registram imagens do território nacional a cada 16 dias, considerado um espaço de tempo muito grande para se obter conclusões científicas.


