Satélite sino-brasileiro é lançado com sucesso da China; técnicos comemoram
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 14 (AE) - O satélite de sensoriamento remoto sino-brasileiro Cbers-1 entrou em órbita à 1h16 de hoje (horário de Brasília). O lançamento do foguete Longa Marcha-4B partiu do centro de lançamento de Taiwan, na República Popular da China, e foi acompanhado por autoridades de ambos países e uma grande multidão. Também foi colocado no espaço o satélite científico Saci-1, um equipamento totalmente nacional. O ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg
acompanhou o lançamento e confirmou o interesse do Brasil em ampliar a parceria com a China na produção de outros dois satélites. O ministro classificou o acontecimento como um marco histórico nas atividades espaciais do Brasil. "Não há dúvidas quanto à continuidade desta cooperação", afirmou.
A colocação em órbita do Cbers foi considerada tecnicamente perfeita. O lançador Longa Marcha ejetou o satélite 22,4 minutos depois da ignição de seus motores. O Cbers ficará numa órbita polar a 763 quilômetros da Terra, com inclinação de 98 graus em relação ao Equador. Passará sobre o território nacional quatro vezes por dia, sendo duas sob a luz do Sol e as restantes durante a noite. Cada passagem durará 13 minutos. Sua função será registrar imagens dos dois países ou de áreas de interesse de seus futuros clientes comerciais. O satélite, de 1 4 tonelada, cruzará diariamente o planeta entre 13 e 14 vezes, numa velocidade de 28 mil km horários.
Em 2001 haverá o segundo lançamento previsto no programa de parceria. O custo total do projeto foi de US$ 300 milhões. Apesar de o Brasil ser responsável por 30% do projeto, o Cbers-2 será testado e integrado nos laboratórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, interior de São Paulo. O equipamento está praticamente pronto, faltando apenas algumas fases para sua conclusão. O acordo definitivo sobre a expansão do tratado de cooperação sairá no próximo ano, depois de concluídas as negociações que serão abertas em fevereiro. O ministro de Ciência e Tecnologia evitou antecipar uma data para a assinatura do novo acordo bilateral.
Sinais - Os primeiros sinais telemétricos emitidos pelo Cbers foram captados pelas antenas brasileiras na sexta órbita, às 11h30, na Estação Terrena de Cuiabá. O rastreio e monitoramento do aparelho neste período fora do alcance das bases do Inpe foi feito pela Agência Espacial da China, a partir da estação de recepção de Nan Ning. Os dirigentes brasileiros comemoraram o funcionamento perfeito dos componentes produzidos pela indústria nacional, como a abertura dos painéis solares, de vital importância para a vida do satélite, uma vez que realimentam as baterias do aparelho. As imagens do Cbers estarão disponíveis em 80 dias.
Neste período haverá testes para aprimorar o desempenho e promover o ajuste fino das três câmeras levadas a bordo. A resolução mínima deste satélite é de 20 metros. O Brasil terá imagens de todo seu território, além de conseguir atingir boa parte dos países pan-amazônicos como Guiana, Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela, além de partes do Paraguai, Argentina e Uruguai. Pelo lado chinês, três estações terrenas estarão recebendo as imagens de seu território captadas e transmitidas do espaço pelo equipamento. Venda - O Brasil poderá constituir uma empresa para vender as imagens do Cbers, segundo informações do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Luis Gylvan Meira Filho. Como o trajeto desenvolvido pelo satélite sino-brasileiro é muito próximo ao do satélite norte-americano Landsat e do francês Spot são grandes as possibilidades de se atrair os mesmos clientes dos concorrentes. Porém, Meira Filho explica que haverá uma política de comercialização descompromissada em recuperar o capital investido pelos dois países.
Segundo o diretor geral do Inpe, Márcio Nogueira Barbosa
a expectativa no Brasil é ter uma migração gradual dos usuários dos outros sistemas de imagens para o novo produto. Além disto, o País dará seu primeiro passo para ter autonomia em imagens de satélites. Atualmente, o Inpe gasta US$ 1,5 milhão por ano nestas fotografias, principalmente na região amazônica, um dos mais importantes alvos de estudos do centro científico. Os sinais vindos de Cuiabá seguirão para o centro de processamento de imagens, no Inpe, de Cachoeira Paulista, onde serão decodificados.
Além das imagens, o Cbers também recolherá e transmitirá as informações ambientais da rede de 350 plataformas de coleta de dados existentes no País. Isto reforçará o trabalho já efetuado pelos equipamentos da Missão Espacial Completa Brasileira (Mecb), os satélites de Coleta de Dados 1 e 2 (SCD-1 e 2). Saci - O quarto satélite brasileiro no espaço é um projeto de aplicação científica, com custo de US$ 4,6 milhões. Sua categoria é dos microssatélites, pois seu peso é de 60 quilos. Seus experimentos são voltados para pesquisas no campo dos fenômenos atmosféricos, do campo magnético da Terra e sobre anomalias em raios cósmicos. Seus sinais serão captados pela antena da base terrena de Natal. O acordo de parceria entre os governos chinês e brasileiro permitiu que o Saci seguisse de carona no foguete Longa Marcha, entrando em órbita polar cerca de 20 segundos após o Cbers.


