Nos últimos dois dias o satélite NOAA-12, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou quase três mil focos de fogo em várias regiões do País, principalmente na Amazônia Legal. Ontem, portaria do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) suspendeu as autorizações para queimadas em cinco municípios perto da Ilha do Bananal, em Tocantins. O incêndio no local começou há 21 dias e destruiu cerca de 700 hectares de floresta e cerrado. Em outros oito municípios no Mato Grosso e Pará foram constatados pontos de fogo na floresta.
A situação mais grave é a do Parque Nacional do Araguaia, onde está a Ilha do Bananal, habitada por índios javaés, xavantes, carajás a avá-canoeiros. ‘‘Fizemos uma reunião com o governo de Goiás e decidimos suspender as queimadas em cidades próximas para evitar que o fogo se propague’’, afirmou o presidente do Ibama, Eduardo Martins.
De acordo com Martins, o governo federal está acompanhando a situação pela sala do Proarco, que monitora a região do arco do desmatamento - limite da fronteira agrícola do norte do Pará ao Acre. Os municípios onde as queimadas estão suspensas até que a situação seja controlada são Caseara, Lagoa da Confusão, Formoso do Araguaia, Duerê e Pium.
Dos 2.966 focos de incêndio identificados pelo satélite NOAA-12, na terça-feira, 2.492 estavam na Amazônia Legal - a maioria no Mato Grosso (1.183) e no Pará (785). Em Santa Maria das Barreiras, no sudeste do Pará, foram localizados 203 focos de fogo no dia 25, 100 a mais que no dia anterior. ‘‘Essa é a região para a qual estamos dando uma atenção especial’’, afirma o coordenador do Programa Proarco, Flávio Montiel. ‘‘Mas o pior ainda está por chegar’’, acrescenta Montiel, explicando que em setembro as queimadas deverão crescer, principalmente no arco do desmatamento.
Ontem, os municípios de Confresa, Itausa, Marcelândia, Paranaita, São José do Xingu e Sorriso, em Mato Grosso, e Novo Progresso e Ourilândia do Norte, em Tocantins, entraram em alerta verde - sinal de que há possibilidade de fogo em áreas de floresta, detectada pelo satélite utilizado pelo Inpe.
Outras duas cidades - Santana do Araguaia (Pará) e Guarantã (Mato Grosso) - entraram em alerta amarelo, já que os focos de calor observados pelo satélite se confirmaram. Em São José do Xingu a situação é grave, segundo o Ibama, pois o fogo continua se alastrando rapidamente, apesar do trabalho da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros que contam a ajuda de 300 voluntários.
Ontem, o Distrito Federal teve um dos dias mais secos do ano. Segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade relativa do ar deveria ficar entre 14% e 15% no decorrer do dia, apenas 2% menor do que a maior seca ocorrida em 30 anos, que aconteceu em 1994.

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