Cientistas da Nasa admitiram que pedaços de um satélite artificial de três toneladas em rota de colisão com a Terra alcancem o planeta hoje, mas acreditam que isso aconteça numa zona desabitada.
Trata-se do satélite científico Extreme Ultraviolet Explorer, (EUV) que segundo a Agência Espacial Norte-Americana está caindo a uma média de 24 quilômetros diários de uma órbita aproximada de 188,4 quilômetros.
Segundo responsáveis pelo acompanhamento do processo, o satélite vai começar a se desintegrar quando atingir as camadas superiores da atmosfera, a cerca de 80 quilômetros de altitude. Espera-se que o dispositivo complete mais quatro ou cinco órbitas de 90 minutos antes da sua queda final.
Grande parte do satélite deverá desintegrar-se e arder ao entrar em contato com a atmosfera durante o mergulho a alta velocidade, uma vez que o atrito funcionará como uma ‘‘lixa gigante’’.
No entanto, engenheiros da Nasa afirmam que é possível que até cerca de nove peças em aço e titânio, pesando perto de 45 quilos, atinjam a superfície terrestre. Os pedaços do satélite, caso sobrevivam à queda, deverão cair ao longo de uma faixa com mil quilômetros de largura sob a sua rota orbital.
‘‘A probabilidade das poucas peças sobreviventes caírem numa área povoada alguém é muito pequena’’, considerou Ronald E. Mahmot, diretor do projeto para as Missões de Ciência Espacial no Centro Goddard de Vôo Espacial. ‘‘É mais provável que as pequenas peças caiam no oceano ou aterrem sem perigo no chão’’, acrescentou.
Em 2000, engenheiros da Nasa dirigiram com sucesso o abandono de órbita do Compton Ray Observatory, de 17 toneladas, utilizando os foguetes existentes a bordo do satélite para o conduzir até uma área remota do Oceano Pacífico.
O Extreme Ultraviolet Explorer não possui foguetes que permitam influenciar a sua queda. Assim, vai cair de forma descontrolada dentro de uma faixa que se estende, no máximo, entre o norte de Orlando, Flórida, e o sul de Brisbane, Austrália. Essa faixa inclui áreas densamente povoadas como a Cidade do México e Miami.
A maior reentrada não controlada de um dispositivo da Nasa aconteceu com o Skylab, uma plataforma com 70,2 toneladas que caiu da sua órbita em 1979. Os destroços resultantes caíram sem problema no Oceano Índico e numa região remota da Austrália.
Lançado em 1992, o Extreme Ultraviolet Explorer recolheu imagens de mais de mil objetos celestes detectados na parte ultravioleta extrema do espectro.
A nave foi concebida para funcionar durante três anos, mas esteve operacional ao longo de sete. O programa de observação terminou em 2001.

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