Satélite deve cair hoje na Terra
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2002
Agência Lusa 
Cientistas da Nasa admitiram que pedaços de um satélite artificial de três toneladas em rota de colisão com a Terra alcancem o planeta hoje, mas acreditam que isso aconteça numa zona desabitada.
Trata-se do satélite científico Extreme Ultraviolet Explorer, (EUV) que segundo a Agência Espacial Norte-Americana está caindo a uma média de 24 quilômetros diários de uma órbita aproximada de 188,4 quilômetros.
Segundo responsáveis pelo acompanhamento do processo, o satélite vai começar a se desintegrar quando atingir as camadas superiores da atmosfera, a cerca de 80 quilômetros de altitude. Espera-se que o dispositivo complete mais quatro ou cinco órbitas de 90 minutos antes da sua queda final.
Grande parte do satélite deverá desintegrar-se e arder ao entrar em contato com a atmosfera durante o mergulho a alta velocidade, uma vez que o atrito funcionará como uma lixa gigante.
No entanto, engenheiros da Nasa afirmam que é possível que até cerca de nove peças em aço e titânio, pesando perto de 45 quilos, atinjam a superfície terrestre. Os pedaços do satélite, caso sobrevivam à queda, deverão cair ao longo de uma faixa com mil quilômetros de largura sob a sua rota orbital.
A probabilidade das poucas peças sobreviventes caírem numa área povoada alguém é muito pequena, considerou Ronald E. Mahmot, diretor do projeto para as Missões de Ciência Espacial no Centro Goddard de Vôo Espacial. É mais provável que as pequenas peças caiam no oceano ou aterrem sem perigo no chão, acrescentou.
Em 2000, engenheiros da Nasa dirigiram com sucesso o abandono de órbita do Compton Ray Observatory, de 17 toneladas, utilizando os foguetes existentes a bordo do satélite para o conduzir até uma área remota do Oceano Pacífico.
O Extreme Ultraviolet Explorer não possui foguetes que permitam influenciar a sua queda. Assim, vai cair de forma descontrolada dentro de uma faixa que se estende, no máximo, entre o norte de Orlando, Flórida, e o sul de Brisbane, Austrália. Essa faixa inclui áreas densamente povoadas como a Cidade do México e Miami.
A maior reentrada não controlada de um dispositivo da Nasa aconteceu com o Skylab, uma plataforma com 70,2 toneladas que caiu da sua órbita em 1979. Os destroços resultantes caíram sem problema no Oceano Índico e numa região remota da Austrália.
Lançado em 1992, o Extreme Ultraviolet Explorer recolheu imagens de mais de mil objetos celestes detectados na parte ultravioleta extrema do espectro.
A nave foi concebida para funcionar durante três anos, mas esteve operacional ao longo de sete. O programa de observação terminou em 2001.


