Satélite de sensoriamento remoto sino-brasileiro será lançado em outubro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 23 (AE) - O satélite de sensoriamento remoto sino-brasileiro Cbers-1 será lançado entre os dias 14 e 16 de outubro. A confirmação foi dada pelos técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas (Inpe), que se encontram na base chinesa de lançamento de Taiyuan. Apesar de o Brasil ter investido US$ 100 milhões no programa, que é considerado o mais importante dentro do setor espacial, nem o lançamento e o satélite foram segurados.
Segundo o diretor-geral do Inpe, Márcio Nogueira Barbosa
os chineses confiam plenamente no sucesso de seu veículo lançador de satélite, o Longa Marcha 4B, e dispensaram a garantia financeira em caso de falha. "O seguro seria em torno de 10% do programa", comentou.
O foguete Longa Marcha 4 tem as versões A e B, e desde 88 já foi utilizado em nove lançamentos. Segundo informações oficiais da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, sua eficiência foi de 100%. Ele foi desenvolvido pela empresa China Great Wall Industry Corp. e é um dos orgulhos da tecnologia espacial chinesa. O Cbers chegará ao espaço impulsionado pelo modelo B, que já fez quatro colocações em órbita sem a ocorrência de falhas. O custo total do projeto é, até o momento, de US$ 300 milhões, sendo que deste montante, US$ 140 milhões foram investidos nesta campanha. Além de levar o satélite de sensoriamento remoto ao espaço, o Brasil terá ainda na coifa do foguete o Satélite Científico (Saci), que custou US$ 4,6 milhões.
Os procedimentos de lançamento começam na próxima semana
quando o Saci e o Cbers-1 serão colocados na coifa do foguete, que já se encontra na torre. O enchimento dos tanques de combustível do Longa Marcha 4 será iniciado no dia 12, seguindo até o dia 14, quando já estará pronto para ter seus motores acionados pelos técnicos do Centro de Lançamento de Taiyuan. O trajeto até o espaço será feito em 12 minutos, quando dá-se a última separação dos estágios do foguete. Isto acontecerá sobre o Vietnan e a estação de rastreio chinesa conseguirá monitorar todo processo. O Saci entrará em órbita 25 segundos depois.
Os primeiros sinais do satélite sino-brasileiro serão recebidos pela estação terrena de Cuiabá somente na sétima órbita. Os técnicos do Inpe explicaram que haverá uma série de testes a serem feitos antes das imagens geradas pelo equipamento serem utilizadas por qualquer um dos dois países. Serão quase três meses de calibragem das câmeras e dos transponder de coleta de dados ambientais. As imagens estarão disponíveis para os usuários depois de 80 dias, segundo informações do gerente brasileiro do Cbers, Carlos Santana. Já o Saci funcionará plenamente na sua sexta órbita, sobre o Brasil, quando os painéis solares estarão abertos e os dados científicos serão repassados para a estação terrena de Natal.
A primeira fase do contrato de parceria técnico-científica Brasil-China prevê o desenvolvimento, construção e colocação em órbita de dois satélites. Porém, conforme o desempenho desta missão, há grandes perspectivas de se ampliar as bases de discussões dos dois países sobre uma ampliação do consórcio. Até o momento existe apenas um protocolo assinado entre os dois governos, prevendo a produção de outros dois Cbers, porém com tecnologia mais avançada. " A China tem uma grande expectativa para continuar o programa com satélites ainda mais aperfeiçoados", afirmou Santana.


