No dia 14 de outubro do ano passado, à 1h15, o satélite CBERS-1 (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) foi lançado com sucesso pelo foguete chinês Longa Marcha 4-B, a partir da base de lançamento de Taiyuan, na República Popular da China.
Semana passada, durante entrevista coletiva à imprensa, os gerentes do programa CBERS, José Raimundo Coelho, pelo Brasil, e Yang Weiyaun, pela China, avaliaram o desempenho do satélite. Os dois gerentes participam do programa CBERS desde o seu início, ainda antes da assinatura do acordo, em 1986, quando os dois países ainda definiam a configuração dos satélites CBERS-1 e 2.
SatisfaçãoYang Weiyaun disse estar bastante satisfeito com o sucesso do satélite e da parceria com o Brasil.
Segundo o gerente chinês, as imagens do CBERS-1 têm sido utilizadas em diversos campos de pesquisa, como floresta, oceanografia, meteorologia. Foi criado um centro de sensoriamento remoto, cuja atividade principal está voltada ao uso das imagens do satélite. Weiyuan disse ainda que, além dessas áreas de estudo, as imagens são utilizadas de acordo com a necessidade, como por exemplo, recentemente, para identificar os locais mais adequados à construção de uma extensa rede de oleoduto, ligando áreas de extração de petróleo a outras regiões do País. Citou também o uso das imagens para mapear áreas atingidas por um desmoronamento ocorrido na região montanhosa do Tibet.
José Raimundo destacou a capacidade brasileira para o desenvolvimento de satélites do porte do CBERS e a maturidade que a indústria nacional atingiu neste processo. Weiyuan destacou, ainda, o pleno funcionamento e o bom desempenho dos subsistemas desenvolvidos pelo Brasil, citando especialmente o computador de bordo do satélite.
RetrospectivaO satélite CBERS-1 é o primeiro de sensoriamento remoto desenvolvido pelos dois países. Após quatro meses em funcionamento, em fevereiro deste ano, o satélite CBERS-1 entrou em fase operacional de aquisição de imagens. Quatro estações são responsáveis pela recepção das imagens: três na China – Pequim, Nanning e Urunqi – e uma no Brasil, em Cuiabá (MT).
Em maio, após funcionar durante 177 dias em órbita da Terra, transmitindo mais de 3 mil imagens, a câmara WFI (Wide Field Imager – Imagem de Largo Campo de Visão) do satélite deixou de operar. No entanto, o caráter inovador, ‘‘a qualidade e o potencial de aplicação das imagens obtidas durante o tempo em que a WFI operou, justificaram a continuação do uso da câmara no satélite CBERS-2, que já está sendo montado e integrado desde o mês passado no Laboratório de Integração e Testes do INPE, em São José dos Campos.
O Programa CBERS é fruto de acordo entre os governos do Brasil e da República Popular da China, firmado em 1988, e que agrega a capacidade técnica e os recursos financeiros dos dois países para estabelecer um sistema completo de sensoriamento remoto competitivo e compatível com as necessidades internacionais atuais.

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