Sars vai chegar ao Brasil
São Paulo - Se a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) chegar ao Brasil, os serviços de saúde correm o risco de ficar ainda mais sobrecarregados. A medida da sobrecarga será proporcional ao número de casos da doença. Dependendo da demanda, o jeito será adiar atendimentos que não são de emergência. Foi assim no começo da década de 70, quando o Brasil teve uma epidemia de meningite. O professor Marcos Boulos, diretor clínico do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, lembra que naquela época os serviços concentraram esforços para atender pacientes com a doença.
No pronto-socorro do HC, maior complexo hospitalar da América Latina, no mínimo 400 pessoas são atendidas por dia. Boulos espera um impacto de demanda se a Sars chegar. Aliás, o professor não trabalha com o ''se''. ''Vai chegar. É pouco provável que o Brasil fique livre da doença.''
Como cerca de 80% das pessoas infectadas pelo vírus da Sars têm um quadro de sintomas parecido com gripe, Boulos não descarta a possibilidade de o vírus já circular pelo País. E num mundo onde viagens são tão rápidas, Boulos diz ser difícil encarar a Sars como epidemia. Para ele, já se trata de uma pandemia, pois a doença atinge três continentes Ásia, América e Europa. (L.M./AE)





