Araçatuba, SP, 23 (AE) - O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho disse hoje, em Araçatuba, a 550 quilômetros da capital paulista, ser favorável à proibição da pesca com redes no Rio Tietê, posição semelhante a defendida por associações e empresários da região. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), porém, orgão vinculado à sua pasta, é contra a proibição. O instituto permite o uso de malhas com até 100 metros de extensão porque considera desnecessário desenvolver programas para preservar espécies introduzidas artificialmente nos reservatórios hidrelétricos como curvinas e tucunarés.
Essas espécies, porém, são hoje responsáveis pelo intenso movimento de turistas registrado em toda Alta Noroeste paulista. Segundo empresários que investem em projetos de lazer às margens do Tietê, são cada vez mais constantes as reclamações sobre a escassez de peixes na região. Há um ano, a Associação dos Amigos do Lago de Três Irmãos desenvolve campanha para convencer as autoridades a proibir a pesca com redes ressaltando seu caráter predatório e destruidor da fauna aquática. O governo de São Paulo é favorável à proposta e já adquiriu 24 barcos para o patrulhamento de mil quilômetros de rios da Alta Noroeste, dos quais 400 quilômetros são do Tietê.
Segundo o presidente da associação, Luís Bertolucci, as redes chegam ter mais de 6 quilômetros de extensão e atravessam de um lado a outro dos reservatórios. Para piorar a situação, afirma, a permissão de uso dada aos pescadores "profissionais" na verdade vem beneficiando milhares de pessoas que jamais tiveram a atividade de pesca como principal fonte de renda familiar. Bertolucci acusou o Ibama de fazer credenciamento indiscriminado e citou que uma fiscalização apurada feita em vários municípios da região provou que mais de 90% das pessoas autorizadas a usar redes eram profissionais liberais e assalariados.
A prefeita de Araçatuba, Germínia Dolce Venturolli (PRP) comemorou o posicionamento do ministro. "Somente dessa forma poderemos evitar que a pesca predatória acabe com o turismo, nosso mais importante potencial de desenvolvimento", disse ela. Sarney Filho afirmou que não desejava questionar posicionamentos técnicos da equipe do Ibama, mas disse que pretende dar mais liberdade ao Estado de São Paulo no gerenciamento e fiscalização da atividade hidroviária e pesqueira. Para o ministro, que veio comemorar os cinco anos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tietê, o ideal seria transferir para instituições como o comitê, compostas pelo poder público e sociedade civil, a responsabilidade de definir os critérios de utilização do meio ambiente.
Como exemplo citou a decisão tomada com relação aos ranchos de pesca amadora no município de Castilho, às margens do reservatório da Hidrelétrica de Porto Primavera, no Rio Paraná. O ministro Sarney Filho decidiu que as 200 casas de veraneio que movimentam mais de 15 mil turistas nos feriados prolongados, não precisarão mais ser demolidas como havia determinado a primeira avaliação técnica do Ibama. Segundo Sarney Filho, em troca da permanência às margens do lago os proprietários terão que desenvolver obras de compensação ecológica em outros locais. O prefeito de Castilho, Adão Severino Batista (PFL), comprou várias caixas de fogos e soltou-os hoje pela cidade em comemoração à decisão do ministro.

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