Sarney Filho conquista apoio para proposta brasileira
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Cláudia Carneiro 
Brasília, 10 (AE) - O governo brasileiro está próximo de conseguir uma vitória internacional na área ambiental e acelerar a entrada de recursos estrangeiros para o reflorestamento das áreas degradadas do País.
Em reunião dos representantes de oito países que integram o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), sexta-feira passada em La Guaira, na Venezuela, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, ganhou apoio na posição brasileira até então isolada, referente à redução de carbono determinada na Convenção de Clima realizada em Kyoto, no Japão.
Sarney Filho disse que o Brasil só aceita discutir a redução de carbono determinada no protocolo de Kyoto - que estabeleceu uma sistema de cotas de redução a ser cumprido pelos países desenvolvidos - se tiver prioridade os investimentos nos países pobres.
A polêmica criada em torno da cláusula de redução de carbono prevista no protocolo de Kyoto surgiu com a intenção dos países ricos de incluir a manutenção de suas próprias florestas no sistema de cotas a ser regulamentado.
Na convenção de Kyoto, realizada há dois anos, decidiu-se que os países desenvolvidos - responsáveis por 80% da emissão de gases na atmosfera do planeta - teriam de cumprir uma cota de redução de carbono.
Na Convenção de Kyoto, foi acatada a proposta do Brasil, de que os países poderiam alcançar a meta de redução de carbono também por meio de compensações, ou seja, negociando o sequestro de carbono com os países em desenvolvimento para atender suas próprias cotas. Dessa forma, os países ricos financiariam reflorestamentos de áreas degradadas no Brasil, cujo investimento teria um valor a ser regulamentado para ser trocada em papéis, as cotas de redução de carbono.
"Podemos até aceitar que os países desenvolvidos incluam a manutenção de florestas já formadas no sistema de cotas, embora esteja provado que é a floresta em crescimento, e não a adulta, que sequestra carbono da atmosfera", observou o ministro Sarney Filho. "Mas nosso posicionamento é de que, preliminarmente, os países desenvolvidos assumam o compromisso, se eventualmente formos discutir a manutenção de florestas em pé, de abrir mãos de suas próprias áreas", continuou o ministro.
"Não fechamos questão nessa discussão, mas para que a gente possa discutir isso, é preciso primeiro uma manifestação deles para que abram mão, senão o protocolo de Kyoto está furado e fica tudo do jeito que está", insistiu.
A reunião de ministros da área ambiental em La Guaira serviu para fortalecer a posição do Brasil, que estava isolada. Depois de fazer o discurso, o ministro Sarney Filho foi aplaudido de pé. Uma nova reunião será realizada para se voltar à discussão da cláusula de sequestro de carbono da Convenção de Clima de Quioto. O evento, sem data definida, ocorrerá provavelmente na Bolívia, mas o ministro Sarney Filho está negociando com o Banco Mundial - que patrocinou o encontro - para financiar o evento no Brasil.


