Brasília, 11 (AE) - O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, condenou hoje o plantio de grãos geneticamente modificados no Brasil. Segundo ele, isso pode afetar as exportações brasileiras, pois vários países importadores estão colocando restrições à compra dos produtos transgênicos. Sarney Filho e lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que foram ao ministério pedir uma posição pública do governo federal sobre os transgênicos, trocaram elogios.
O MST deu seu apoio à implantação da chamada agenda verde no País, que inclui preservação do meio ambiente nos projetos de desenvolvimento econômico. "O MST é um aliado do governo", disse o ministro, depois de ser elogiado.
De acordo com Sarney Filho, os agricultores brasileiros que estão contrabandeando sementes transgênicas de outros países podem atrapalhar as exportações de grãos, especialmente para a União Européia e para o Japão, que impõem restrições a alimentos geneticamente modificados. "Não interessa aos agricultores plantar soja transgênica, pode ser que estes ganhos imediatos tragam grandes dificuldades no futuro", disse o ministro.
Elogios - Um dos coordenadores nacionais do MST, Gilberto Portes, que participou da reunião com Sarney Filho, fez vários elogios ao ministro por condenar os produtos transgênicos. Gilberto Portes disse que Sarney Filho, ao tornar pública uma atitude avançada e de grande interesse social, ficará "cada vez mais próximo" do MST. "Gostaríamos de dizer que conseguimos um grande aliado no governo", disse Portes.
Campanha - O MST irá lançar uma campanha nacional para esclarecer os pequenos agricultores sobre a importância de se evitar sementes transgênicas. O movimento irá também lançar campanha de esclarecimento à sociedade. "Não vamos ser laboratórios transgênicos de países como Estados Unidos", disse Portes.
O ministro fez vários elogios ao MST quando Portes anunciou que apóia a chamada agenda verde. "O MST é um aliado da causa ambiental e a bandeira do MST vai ter um pequeno traço verde", disse Sarney Filho. Ao final do encontro de hoje o ministro do Meio Ambiente fez uma brincadeira com os líderes do MST: "A presença do MST no meu gabinete é uma ocupação dos sem-terra que é bem-vinda".
Gilberto Portes disse ser prática entre os assentados do MST a preservação do meio ambiente, reservando em cada assentamento familiar um percentual entre 20% e 80% de área para preservação, índice que aumenta de acordo com a proximidade com as florestas."Estabelecemos um canal permanente para desenvolver projetos auto-sustentáveis com o Meio Ambiente, na área da reforma agrária e vamos quebrar esta imagem de que o MST destrói o meio ambiente", disse Portes.

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