Brasília, 28 (AE) - O senador José Sarney (PMDB-AP) disse hoje que o senador Bello Parga (PFL-MA) - seu amigo e afilhado político - vai continuar à frente dos trabalhos da CPI do Sistema Financeiro. Parga está ausente da comissão, desde ontem (27), para tratar da saúde. Seu afastamento possibilitou ao PSDB assumir o comando das investigações que preocupam o governo e colocam sob suspeição o funcionamento do Banco Central.
Consultado sobre a oferta feita a Bello Parga para assumir a presidência da CPI, à época de sua instalação, o ex-presidente Sarney chegou a aconselhar ao amigo que não aceitasse o convite. Aos 71 anos e com três pontes de safena, Parga toma cuidados especiais com a saúde. "Já que entrou, agora ele fica, e este é o desejo dele", afirmou Sarney.
O senador passou o dia hoje fazendo exames no Instituto do Coração em São Paulo, segundo informações de seus assessores. Da capital paulista, Bello Parga ligou para seu gabinete e avisou que pretendia presidir a reunião marcada para amanhã (29) da CPI do Sistema Financeiro, quando os senadores deverão tomar o depoimento de mais duas testemunhas.
O presidente interino da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), esquivou-se de qualquer comentário sobre sua permanência no comando da comissão. "Bello Parga está apenas fazendo exames de rotina", disse. Mas Arruda já vem sendo cumprimentado por amigos nos corredores do Senado. "Deus escreve certo por linhas tortas", anunciou o deputado Márcio Fortes (PSDB-RJ), ao trocar um abraço caloroso Arruda num encontro casual no Senado.
O senador tucano perdeu a oportunidade de ocupar a presidência da CPI do Sistema Financeiro por causa de uma manobra do PSDB para esvaziar a comissão. O partido decidiu não indicar seus nomes, para tentar impedir que a CPI fosse instalada, mas acabou voltando atrás e ficou com a vice-presidência da comissão.
O afastamento de Bello Parga para dar lugar ao partido de Fernando Henrique Cardoso sinalizaria um controle maior sobre as investigações. Mas o PFL já avisou que não vai entregar o comando da CPI. Dirigentes do PFL não querem que o poder das investigações sobre o Banco Central e instituições financeirias fique dividido entre o PSDB e PMDB, do senador Jáder Barbalho (PA). "Se precisar tirar o Bello Parga, o PFL vai indicar outro", sentenciou o líder pefelista no Senado, Hugo Napoleão (PFL-PI).

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