São Luís, 24 (AE) - O ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP) lamentou hoje a morte do ex-presidente João Baptista Figueiredo, seu antecessor no Palácio do Planalto. Sarney destacou a firmeza com que Figueiredo conduziu o processo de restauração democrática no Brasil. "O presidente Figueiredo marcou sua vida pela autenticidade, viveu suas circunstâncias e teve uma participação importante no caminho da restauração da democracia no País". Segundo Sarney, o ex-presidente procurou servir ao Brasil com patriotismo e grandeza. "Só tenho a lamentar a sua morte". O isolamento político de Figueiredo, ao deixar a Presidência da República, foi outro aspecto ressaltado por Sarney. "Nosso afastamento político preservou uma relação de respeito e consideração, que marcou nossas vidas", afirmou. Murilo Macedo - O ex-ministro do Trabalho do governo de João Batista Figueiredo, Murilo Macedo, disse que a maior importância política do ex-presidente foi a abertura da democracia. "As pessoas podiam ter até uma idéia de que ele era duro, mas todos gostavam dele porque dizia o que pensava", disse Macedo que foi cuidou da pasta do Trabalho durante os seis anos de governo Figueiredo. O ex-ministro disse estar "profundamente triste" com a morte de Figueiredo. O ministério do Trabalho da gestão Figueiredo teve participação importante porque o período foi marcado por greves no setor industrial, bem como a criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e seu braço político, o Partido dos Trabalhadores (PT). "Foi um processo muito importante e meu papel era facilitar a ligação entre empregador e empregado; mas não era fácil", destacou Macedo. Ele disse que sempre teve "ternura" por Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente de honra do PT. E garantiu que Figueiredo também respeitava Lula. Camilo Penna - Para o ex-ministro João Camillo Penna, que ocupou a pasta da Indústria e Comércio no governo do general João Baptista Figueiredo, o mandato do presidente foi marcado por três aspectos principais. O maior deles, segundo Penna, foi o esforço pela anistia política. "Vi de perto as dificuldades enfrentadas por Figueiredo nessa época e sou testemunha pessoal de que, apesar da pressão, ele foi absolutamente firme na retomada do rumo da democracia". Além disso, Penna relembrou os obstáculos econômicos enfrentados pelo ex-presidente e que se traduziram no choque do petróleo e ainda na alta abusiva das taxas de juros americanos, que à época atingiram 20%. "Tenho a impressão de que nenhum outro governo brasileiro enfrentou dificuldades desta natureza, problemas que afetaram a vida do país e trouxeram reflexos para a dívida externa e para a entrada de recursos estrangeiros no Brasil", disse. Para ele, Figueiredo foi também humilde ao optar pela conclusão de todas as obras iniciadas no governo Geisel, ao invés de iniciar novos projetos. "A presença de Figueiredo foi fundamental para a continuidade do projeto siderúrgico, além dos investimentos nos setores de telefonia, na Usina de Itaipu e no Projeto Carajás", disse. João Camillo Penna foi ministro de Indústria e Comércio por cinco anos e meio dos seis anos de presidência de Figueiredo. Aureliano Chaves - O ex-vice presidente da República, Aureliano Chaves de Mendonça, disse hoje que o ex-presidente João Batista Figueiredo ainda não recebeu o reconhecimento na exata proporção de sua importância histórica. Chaves admitiu que ambos enfrentaram "dificuldades" durante o governo, principalmente "na visão política", que, no entanto, "não afetaram o conceito que eu tinha dele, um brasileiro antes de tudo patriota e que foi responsável pela retomada do caminho do Brasil à vida democrática". Chaves ressaltou ainda a importância do ex-presidente no processo de anistia e a capacidade administrativa que o levou a ampliar a produção de petróleo no país. "Hoje o Brasil possui uma produção expressiva em águas profundas, com plataformas continentais e é inclusive pioneiro nessa área", disse. "À medida que a história fizer um julgamento isento de sua administração poderá reconhecê-lo por tudo que ele fez pelo país. Na minha opinião foi um grande presidente da República", concluiu STF - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, enviou telegrama a mulher do ex-presidente João Figueiredo, Dulce, transmitindo "profundo pesar" de seus ministros pela morte do general. "Homem de atitudes francas, a sua marca maior foi o patriotismo, o amor pelo Brasil", diz o telegrama. E acrescenta: "A sua morte representa uma grande perda. Rogo transmitir aos filhos e demais familiares o nosso pesar. Cordial abraço".

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