Sargento homossexual pede baixa após duas detenções
Brasília- Depois de ser detido duas vezes pelo Exército e de denunciar perseguição e discriminação, o sargento Fernando Alcântara, gay assumido, pediu baixa da corporação ontem. ''Ele disse que se sente vocacionado para as Forças Armadas, mas que chegou ao limite e não dá mais para continuar'', informou o advogado do sargento, Marcos Rogério de Souza.
Alcântara foi preso no dia 13 e cumpriu oito dias de reclusão. Na última segunda-feira, foi novamente punido, dessa vez com detenção de quatro dias -em que ele trabalha de dia e dorme em alojamento militar.
O sargento diz que documentos entregues pelo Exército o acusam de ter se afastado de Brasília sem informar superiores, utilizar farda de forma incorreta em entrevista e saber do paradeiro de um desertor e não informar -no caso, o também sargento e seu companheiro, Laci de Araújo, preso pelo crime de deserção.
Alcântara, no entanto, achava que a prisão de oito dias seria a única penalidade a ser aplicada. Ele diz ter ficado surpreso com a detenção de segunda. A defesa diz temer que mais uma punição seja aplicada ao sargento. O advogado entrou com pedido de habeas corpus na Justiça Federal. A previsão é que seja julgado hoje. Segundo o Comando Militar do Planalto, a que Alcântara está subordinado, o sargento passará por uma inspeção de saúde e pode estar desligado do Exército em até duas semanas.
O companheiro de Alcântara será interrogado pela Justiça Militar sexta-feira no processo de deserção. Araújo está preso desde o dia 4, quando deu entrevista à RedeTV!, junto com Alcântara.





