Curitiba - Em uma decisão inédita no Brasil, a Justiça do Paraná condenou o sargento da Polícia Militar (PM), Luiz Honório dos Santos Neto, por crime de racismo cometido dentro da própria corporação. A juíza da 11 Vara Criminal de Curitiba, Maria Lúcia de Paula Espíndola, determinou que o sargento cumpra um ano e seis meses de serviço comunitário por ter ofendido os soldados negros Ivan Luiz Camargo dos Santos e Elias Gonçalves da Silva. É a primeira decisão do genêro no País, já que esse é o primeiro caso de racismo dentro da PM que veio a público e foi parar na Justiça comum. Na área cível, o soldado Camargo já havia ganho em fevereiro uma idenização de R$ 10 mil por danos morais.
O caso aconteceu há cinco anos. Os dois soldados estavam trabalhando quando o sargento Santos, a quem eles eram subordinados, fez o comentário dirigindo-se aos dois de que se ele ''fosse comandante da PM não aceitaria preto, porque preto para ele era somente seu coturno''. O soldado Camargo imediatamente reportou a ofensa aos comandantes da PM, que apenas mudaram o sargento Santos de posto. Não satisfeito com a falta de punição, o soldado recorreu à Justiça comum e denunciou o caso à imprensa. ''Foram cinco anos difíceis porque durante todo esse tempo fui muito hostilizado dentro da corporação e taxado como mentiroso. Mas essa sentença abre precedentes históricos'', afirma o soldado Camargo.
Desde maio o soldado Camargo está cumprindo licença médica e por isso não está trabalhando. Contudo, existe um processo de expulsão contra ele dentro da PM. Segundo o soldado, querem condená-lo por ter denegrido a imagem da corporação. Assim que voltar a ativa vai ser julgado. ''Desde que aconteceu o caso passei a ser mal visto na PM. Mas o que eu queria era ser visto como um bom policial negro. Provavelmente vou ser expulso, mas gostaria de poder sair por conta própria'', diz.
A reportagem da Folha tentou entrar em contado ontem com o comandante-geral da PM, David Pancotti, porém foi informada por seu ajudante de ordem, tenente Puchetti, que ele estaria ocupado o dia todo e só poderia falar sobre o caso hoje. Já o advogado do sargento Santos, Adir Tacla Filho, informou, por meio de sua assistente, que estava ocupado e não poderia falar à imprensa, mas que vai recorrer da sentença. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o sargento Santos.

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