Sargento da Polícia Rodoviária é sequestrado e feito refém por sem-terra
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sábado, 29 de maio de 1999
Por José Maria Tomazela 
Porto Feliz, SP, 30 (AE) - O sargento Elias Lourenço Carneiro, do Serviço Reservado da Polícia Rodoviária, foi sequestrado e feito refém pelos sem-terra do acampamento Nova Canudos, em Porto Feliz, a 100 quilômetros de São Paulo. Carneiro estava à paisana e foi rendido por sem-terra armados com facas e estiletes, nas proximidades do acampamento. Ele ajudava outros policiais num trabalho de prevenção contra novos bloqueios e saques na Rodovia Castelo Branco, em cuja margem os sem-terra estão acampados. Na semana passada, os sem-terra saquearam três caminhões de alimentos na rodovia. O soldado Fábio Doca, que acompanhava Carneiro, conseguiu correr até o carro e escapar. Levado para dentro de um barraco, no meio do acampamento, o refém foi ameaçado com facas e um revólver calibre 38. Ele foi libertado quase duas horas depois, com a interferência do deputado estadual Hamilton Pereira (PT), de Sorocaba (SP), quando a polícia se preparava para fazer o resgate.
Carneiro contou que os sem-terra usaram de violência para p obrigar a falar o que fazia no local. "Eles sabiam que eu era policial e queriam que contasse qual era a minha missão." Um dos homens, identificado como Daniel, mostrou-lhe o revólver e disse que o mataria se tentasse escapar. O policial disse que foi jogado no chão, enquanto os sem-terra batiam a lâmina do facão próximo à cabeça dele.
"Eles não têm nada de sem-terra, são profissionais nisso", afirmou, depois, na Delegacia de Porto Feliz. O tenente-coronel Helder Pereira, comandante do 2º Batalhão da Polícia Rodoviária, com sede em Tatuí (SP), onde Carneiro está lotado, deslocou-se com outros policiais para o acampamento. "Estávamos tomando providências para ter os meios necessários para resgatar o policial", contou. O clima continuava tenso, no início da noite, no acampamento. Doze carros da polícia e cerca de 40 policiais estavam a postos. Os sem-terra estavam agitados e provocavam a polícia. Pereira descartava qualquer ação. "É trabalho preventivo", disse.
Os sem-terra disseram que Carneiro foi detido porque estava em atitude suspeita. "Ele faz parte da polícia e levou nossa carne embora", disse um deles, que se identificou apenas como Natanael. Na noite de quinta-feira (27), os acampados bloquearam a rodovia e saquearam caminhões de carne, batata e macarrão. No dia seguinte, acusaram policiais rodoviários de ter levado parte da carne. O comandante esclareceu hoje que os policiais realmente conseguiram evitar que toda a carne fosse saqueada. "Mas o produto recuperado foi levado para a Delegacia de Porto Feliz." O delegado José Eduardo Martins abriu inquérito para apurar o sequestro e as torturas sofridas pelo policial. Ele pedirá uma nova busca de armas entre os sem-terra. Sexta-feira, 450 policiais cercaram o acampamento e recuperaram parte das cargas saqueadas, mas não encontraram armas de fogo. "A área lá é muito grande e, quando sabem da operação, eles escondem as armas", disse o delegado. Hoje, 13 dos 20 sem-terra presos na ação da semana passada continuavam detidos em Porto Feliz. As três mulheres que estavam no Presídio Feminino de Votorantim foram soltas.


