Marcos Zanatta
De Maringá
O crescimento populacional de Sarandi (7 km a leste de Maringá) está provocando o empobrecimento do município. Emancipada de Marialva há quase 20 anos, a cidade atrai trabalhadores que vem para a região em busca de oportunidades. Com o custo de vida alto de Maringá, as pessoas acabam optando em morar em Sarandi.
‘‘Aqui é mais barato, mas também não tem emprego’’, reclama a favelada Rose Augusta de Souza, 25 anos. Ela, o marido e quatro filhos vieram há cerca de dois anos de Curitiba. ‘‘Quando a gente vai na prefeitura pedir alguma coisa é sempre a mesma conversa que não tem dinheiro’’, diz.
A diarista Maria Aparecida Medeiros, 50 anos, se mudou do interior de São Paulo para Sarandi com quatro filhos e uma sobrinha há cerca de três anos. ‘‘No começo veio meu filho mais velho, que conseguiu emprego e trouxe a gente’’, recorda. Todos trabalhavam na colheita de laranja na região de Limeira e queriam mudar de vida.
‘‘A situação acabou ficando difícil, tivemos que mudar para a favela e agora meu filho mais novo, que mais ajudava, está preso’’, lamenta. Ela conta que o filho se envolveu ‘‘de laranja’’ com assaltantes e está na cadeia há oito meses. ‘‘Nós estamos passando necessidade, e aqui não acha emprego nem por um dia’’, afirma.
Para Tatiana Maria Cristina, 18 anos, dois filhos, a ‘‘favela do Hélio’’, onde mora, tem algum ‘‘feitiço’’. Ela conta que veio com a família de São Paulo há cinco anos e todos conseguiram ‘‘se dar bem’’. ‘‘Agora, eu e meu marido estamos aqui, vivendo de bicos. Queria sair desse lugar, para qualquer outro’’, diz.
A dona de casa Rosana dos Santos, 27 anos e cinco filhos, saiu da zona rural e acha que a situação está melhor, mesmo morando em uma favela. Ela vivia em um sítio em Nova Tebas (90 km a sudeste de Campo Mourão). ‘‘Aqui está melhor porque a gente tem ajuda dos outros’’, resume. Rosana mostra o barraco que está construindo para ‘‘caber todo mundo’’. ‘‘Só falta mesmo energia pra gente colocar uma TV e distrair as crianças’’.

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