Os municípios de Sarandi e Paiçandu, a menos de 10 minutos do centro de Maringá, estão entre os que mais crescem no Paraná. A maior parte dos habitantes é de famílias de baixa renda, que trabalham em empresas de Maringá e optaram em morar nas cidades vizinhas por uma questão de economia. ‘‘Devemos nosso crescimento à proximidade com Maringá, mas também assumimos o custo de um desenvolvimento desordenado’’, diz o prefeito de Sarandi, Julio Bifon. A população da cidade, que segundo o censo do IBGE em 1996 era de 60.212 habitantes, hoje chega perto dos 80 mil moradores, calcula Bifon.
Ele garante que hoje Sarandi não é mais uma cidade-dormitório. ‘‘Nossa proximidade com Maringá e a localização estratégica para um grande centro consumidor tem atraído investimentos, inclusive grandes empresas’’, atesta. Mas o crescimento populacional, o maior do Estado nos últimos anos, exige um grande número de empregos. A cidade também não tem infra-estrutura para atender toda a população de forma adequada. ‘‘Faltam creche, posto de saúde, asfalto, áreas de lazer e saneamento básico’’, enumera o prefeito. Ele conta que nos último ano construiu duas quadras poliesportivas, mas a necessidade é de pelo menos cinco vezes mais.
O crescimento desordenado pode ser sentido em alguns bairros. São loteamentos liberados sem a mínima infra-estrutura, que tem dois ou três anos, estão quase todos ocupados e o município não tem como oferecer obras e serviços. ‘‘Dependemos apenas da arrecadação do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios, que está sempre defasado porque nossa população cresce muito rápido’’, afirma Bifon. Mas a principal preocupação é com o saneamento. Sarandi tem hoje apenas 4% dos domicílios servidos por esgoto. São 17 mil fossas sépticas, o que é um risco para a saúde da população, servida com água de poços artesianos.
O prefeito está tentando privatizar o sistema, mas encontra resistência. ‘‘Precisaríamos investir R$ 5 milhões para melhorar o abastecimento e a coleta e tratamento de esgoto, mas não temos dinheiro’’, alega. A esperança dos prefeitos das pequenas cidades da região é a criação da Região Metropolitana de Maringá. ‘‘Pelo menos vamos resolver alguns problemas comuns’’, comemora Bifon.
Para o prefeito de Paiçandu, Jonas Eraldo de Lima, a RM vai garantir a força que os pequenos municípios não têm trabalhando isoladamente. Ele acha que a proximidade com Maringá traz vantagens, mas exige muito da administração. Com uma taxa de crescimento de 4,19%, Paiçandu tem quase 30 mil habitantes. ‘‘Apostamos no desenvolvimento de Maringá para atrair investimentos’’, diz Lima. A Zona de Processamento Aduaneiro (ZPA), que beneficia empresas que atuam no mercado externo, tem atraído interessados para Paiçandu. ‘‘Acreditamos também que o novo aeroporto de Maringá vai alavancar o desenvolvimento de toda região’’, diz o prefeito.

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