Rio, 20 (AE) - O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura de 1998, foi a grande estrela da abertura da 9ª Bienal do Livro, hoje de manhã, no auditório Eça de Queiroz, do Riocentro. Ele foi o último a falar, mas fez a proposta mais original do evento: a realização de uma grande feira de livros reunindo os países de língua portuguesa. "O evento poderia acontecer a cada ano numa cidade de Portugal ou do Brasil ou, quem sabe, mesmo nos países africanos e asiáticos que falam nossa língua", disse ele no discurso de abertura.
A proposta foi recebida com entusiasmo da parte dos brasileiros. O presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Sérgio Machado, garantiu que o evento pode acontecer já no ano 2000. "Levamos normalmente um ano para preparar a Bienal", explicou ele. "Portanto, seria fácil promover uma feira desse tipo daqui a 12 meses". O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, concordou, mas ressaltou que a iniciativa cabe ao mercado editorial. Só o ministro da Cultura de Portugal, Manoel Carrilho, foi reticente: "A idéia é boa, mas é cedo para se falar nela".
Se Saramago foi a grande estrela de hoje, pois fez também palestra aberta ao público à noite, algumas autoridades cuja presença era esperada não compareceram. O governador Anthony Garotinho mandou o secretário de Cultura, Adriano de Aquino, e o ministro da Cultura, Francisco Weffort, se fez representar pelo presidente da Biblioteca Nacional, Eduardo Portella. Livros didáticos - Em seu discurso, Saramago usou imagens poéticas para falar da importância da união de todos os escritores de língua portuguesa e chamou a atenção para o fato de serem brasileiros e portugueses como "parentes que vivem próximos, sem se comunicar, mas que precisam fundir-se para ficarem mais fortes". Para o escritor, a finalidade de um evento como a bienal é exatamente essa aproximação. Após a abertura, Paulo Renato lançou, no stand do Ministério da Educação, a campanha para conservação dos livros didáticos.

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