Brasília, 28 (AE) - Os correntistas dos bancos não aumentaram seus saques nos últimos dias por medo do bug do ano 2000. Embora o Banco Central tenha colocado neste mês mais R$ 7 bilhões em cédulas e moedas à disposição do sistema bancário, prevendo o aumento de saques, o movimento está normal há três dias da virada do ano, disse hoje o representante do BC no Plano de Contingência do Bug do Milênio, Antônio Gustavo Matos do Vale. Ele aconselhou as pessoas a manter sua rotina, e garantiu que não há nenhuma ameaça aos depósitos dos correntistas. ""O dinheiro que adormecer no dia 31 estará no dia 1º do mesmo jeito
e isso inclui não só os saldos credores, mas os devedores também", afirmou.
Vale disse que nos últimos dias diminuiu a quantidade de dinheiro em circulação, com os bancos tendo registrado o ingresso em seus cofres de R$ 600 milhões. O meio circulante (cédulas e moedas fora do Banco Central) normal no Brasil é de R$ 22 bilhões, e nos meses de dezembro é acrescido em 25%, subindo para R$ 27,5 bilhões, segundo Vale. Diante das incertezas sobre o comportamento das pessoas em relação ao bug ele foi elevado para cerca de R$ 34,5 bilhões. "Mas verificamos que o meio circulante hoje é o mesmo do verificado na mesma época do ano passado", comentou.
O representante do Banco Central garantiu que o sistema financeiro brasileiro está totalmente preparado para enfrentar a virada do ano sem temer problemas em decorrência do bug do ano 2000, pois nos últimos três anos investiu R$ 1 bilhão para enfrentar o problema. Nesse período, o Banco Central exigiu que um diretor em cada banco assinasse um termo se responsabilizando pelos procedimentos, e todos os bancos foram visitados por uma equipe do BC para analisar o que foi feito.
Vale disse ainda que todos os bancos fizeram testes, inclusive em suas agências e seus caixas eletrônicos externos. Foi feito também um grande teste envolvendo 184 bancos no serviço de compensação nacional de cheques, sem que tenha sido detectado qualquer problema. Por precaução, os bancos guardarão em duas fitas magnéticas os saldos de seus clientes no dia 31 de dezembro. As fitas deverão ser guardadas em locais diferentes por seis meses.
O Plano brasileiro prevê três momentos críticos para o enfrentamento do bug. O primeiro é na virada do dia 31 para o dia 1º de janeiro. O segundo é entre os dias 2 e 3 de janeiro, quando a maioria das empresas volta a funcionar. O terceiro é entre os dias 4 e 5, quando serão depositados os benefícios previdenciários e os salários de funcionários públicos, envolvendo milhões de pessoas.
O representante do Banco do Brasil no Plano de Contingência, José Francisco Rosa, afirmou que sua instituição também está preparada para a virada do ano, e disse que todos os equipamentos foram substituídos nos últimos quatro anos, não só por causa do bug mas também por necessidade de modernização tecnológica. Rosa aconselhou os correntistas a não mudarem sua rotina no dia 31. "Quem não costuma fazer saque, não faça, quem não costuma pegar extrato, não pegue, ou pegue alguns dias antes
para evitar congestionamento".
Vale também reforçou o apelo para que as pessoais sigam seus procedimentos normais. E lembrou que o Brasil tem 37 mil caixas eletrônicos, dos quais 500 a 600 estão quebrados a cada dia. "Se na virada do ano o caixa estiver quebrado, procure outro mais próximo, antes de pensar que foi o bug", aconselhou. Em sua avaliação, mesmo que ocorra um aumento na procura das pessoas por dinheiro vivo no dia 31 , não haverá ameaça a nenhuma instituição financeira. Como os bancos estarão fechados, o saque só será possível nos caixas, onde os valores são limitados. E os bancos estão preparados para alimentar continuamente os caixas com cédulas.

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