A diferenciação foi a forma encontrada pelo sapateiro Ademir Xavier da Silva, da Creações MY, de Londrina, para permanecer no mercado por mais de 30 anos sem sucumbir à concorrência e às mudanças dos hábitos de consumo.
Especializado na confecção de botas militar, para hipismo, montaria e pólo, Silva começou a fabricar sapatos para deficientes físicos e pessoas com problemas de saúde há cerca de 20 anos. Hoje, ele atende clientes de várias regiões do País, do Rio Grande do Sul a Sergipe ‘‘Eu resolvi usar minha sabedoria e experiência na fabricação de sapatos especiais’’.
Muitas vezes a encomenda é feita por telefone e o sapato entregue via correio. ‘‘Eu já tenho os moldes dos pés destes clientes, que fazem o pagamento por depósito bancário’’, contou. Silva só utiliza materiais de primeira linha como pelica (couro de cabra), cromo (couro de bezerro) e vaqueta (couro de vaca). ‘‘Tenho que trabalhar com materiais de boa qualidade e macios. O couro sintético pode causar alergias e machucar os pés dos diabéticos’’, exemplificou.
Silva orgulha-se de colaborar na cura das pessoas. ‘‘Eu tenho um cliente diabético que tinha uma ferida no calcanhar que, além de não fechar por causa da doença, piorava devido ao uso de sapatos inadequados. A ferida cicatrizou depois que eu desenvolvi um sapato especial para ele’’.
O sapateiro também cria modelos para pessoas com problemas de encurtamento de uma das pernas, pés muito grandes ou pequenos e pessoas de baixa estatura que querem parecer mais altas. ‘‘Há cinco anos fabrico sapatos para um pai e um filho que moram em Aracaju e que calçam número 47. Também atendo muitos nisseis da região que calçam número 33’’.
Entre os clientes famosos que compram botas na sapataria destacam-se o cantor sertanejo Teodoro, da dupla sertaneja Teodoro e Sampaio, o cantor country Willie Nelson e o apresentador de televisão Marcelo Costa. ‘‘Eu não fico convencido em atendê-los porque também me considero um artista, só que do couro’’.
Silva aprendeu a arte da sapataria há 30 anos com sua mãe, que pespontava calçados em casa. Aos 12, já trabalhava como ajudante de sapateiros na cidade de São Paulo e, aos 21, depois de fazer um curso de modelagem, abriu seu próprio negócio. Ele mudou-se para Londrina em 1981.
‘‘Em qualquer tipo de negócio, o profissional precisa ser criativo e curioso, aprendendo a fazer o máximo de coisas ligadas a sua atividade. Na caso do sapateiro, é preciso saber cortar, moldar, montar, costurar e dar acabamento. Mas o mais importante é fazer um serviço diferente do oferecido pela concorrência’’, recomendou Silva. Seus sapatos custam de R$ 30 a R$ 300.
A exemplo de um bom alfaiate, Silva tira muitos moldes de revistas italianas e americanas. ‘‘No momento, estou fazendo um sapato fino italiano para um advogado de Cuiabᒒ, contou ele, que faz questão de transmitir esta arte para seus filhos. ‘‘Meu filho de 24 anos, o Valdemir, já está fabricando sapatilhas para boliche’’.

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