São Vicente, SP, 02 (AE) - A camisinha feminina foi aprovada pelas mulheres brasileiras. A conclusão é do Estudo de Aceitabilidade, realizado em 6 cidades brasileiras, entre as quais São Vicente, com o patrocínio da Unaids (entidade ligada à ONU), em parceria com o Ministério da Saúde, Unicamp e Centro de Análises e Planejamento (Cebrap). De acordo com Ilham Haddad, coordenadora do Programa DST/Aids do município, a adesão das mulheres que participaram da pesquisa atingiu a média de 74% do País e, em São Vicente chegou a 58%.
Estes resultados foram divulgados hoje, durante workshop organizado pela prefeitura com a participação de representantes das diversas Secretarias de Saúde da região. "Das 400 mulheres que integraram o estudo em São Vicente entre o último trimestre de 98 e o início deste ano, 31 desistiram e 42% delas não gostaram do Condom Feminino", revelou Ilham Haddad. Mesmo assim
ela está satisfeita com o resultado da adesão ao preservativo, "por ser algo muito novo na sociedade". Mas adverte que é importante a mulher saber lidar com essa novidade.
Segundo disse, hoje a epidemia continua a avançar entre as mulheres, com a média, no País, de 2 homens infectados para cada mulher com o vírus da Aids, quando, no início da epidemia, a proporção era de 36 homens para uma mulher. "Daí a necessidade de reforçarmos a campanha para o uso do preservativo feminino".
Revelou, então, que o Ministério da Saúde vai distribuir 2 milhões desse tipo de camisinha nas cidades onde o Estudo de Aceitabilidade foi realizado: Rio de Janeiro, Goiânia, Belo Horizonte, Porto Alegre, São Vicente e Cabo de Santo Agostinho (PE). A distribuição, segundo disse, também será feita em outras cidades do País, previamente selecionadas, entre as quais 39 só no Estado de São Paulo. "Nesses casos, as camisinhas serão distribuídas entre as mulheres que enfrentam situação de violência, entre as portadoras do vírus HIV, as que integram o Programa de Planejamento Familiar e entre as profissionais do sexo", esclarece.
Haddad explica, ainda, que a aceitabilidade do preservativo em São Vicente foi boa e o produto vai continuar a ser distribuído porque as participantes do estudo continuam indo ao posto de saúde para renovar o estoque. As mulheres que participaram da pesquisa no município da Baixada Santista apontaram como principal atrativo da camisinha feminina o fato de conferir às mulheres independência em relação aos companheiros. "Com ela, é possível garantir sexo seguro sem depender da vontade do homem e ainda há a vantagem da resistência porque, se usado corretamente, não há risco de vazamento", observa a médica. Mais ainda: o preservativo foi apontado como alternativa viável para barrar o avanço da Aids entre as mulheres. O Estudo da Aceitabilidade da camisinha feminina envolveu 2.453 mulheres no Brasil.

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