São Paulo terá mais cinco escolas técnicas
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Juliana Junqueira 
São Paulo, 31 (AE) - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, deu seu aval hoje para a construção de cinco escolas técnicas na região leste da cidade de São Paulo e nos municípios de Suzano e Guarulhos, na região do Alto do Tietê. "Temos recursos disponíveis para construir e equipar novos centros profissionalizantes", afirmou o ministro, que se reuniu hoje com lideranças das duas regiões. Segundo Paulo Renato, as novas escolas receberão investimento do Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep).
As escolas serão construídas nos bairros de Itaim Paulista, Guaianases e Ermelino Matarazzo e nas cidades de Suzano e Guarulhos. As regiões leste e do Alto Tietê somam mais de 5 milhões de habitantes. "Não vejo problemas em investir e essas regiões são carentes de cursos técnicos", disse o ministro.
O Proep é uma iniciativa dos Ministérios da Educação e do Trabalho para ampliar e melhorar a qualidade da rede da educação profissionalizante. O programa conta com recursos dos ministérios e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O centro profissionalizante de Itaim Paulista vai ser o primeiro a receber os recursos. O projeto, que terá a parceria do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (Ceeteps) e da entidade Comunidade Kolpieng, terá R$ 2,5 milhões para os equipamentos. "Estamos aguardando o estudo de demanda para saber qual curso será aberto", explicou Maria de Fátima Rodriguez de Souza, da Comunidade Kolpiensg. Maria de Fátima espera que o curso dê um impluso para o desenvolvimento econômico da região.
O padre Antonio Luiz Marchioni, de Ermelino Matarazzo, uma das principais lideranças presentes na reunião, disse que já foi aprovada pelo governo do Estado a construção de um pólo industrial não poluente, em Itaquera, que poderá criar 50 mil novos empregos. "É preciso capacitar o pessoal para ocupar essas vagas", afirmou o padre, conhecido como padre Ticão. Segundo ele, a prefeitura de Suzano já doou um terreno de 10 mil metros quadrados para a construção da escola.
Administração - Para o ministro, falta ainda definir o grupo que administrará as escolas e a entidade que responderá pelo ensino técnico. "Temos a verba para construir e equipar, mas a gestão deve ser feita pela comunidade", afirmou. O ministro explicou que os administradores podem ser organizações não-governamentais, associações, governos locais ou uma parceria entre esses setores.
Segundo o padre Ticão, representantes dos bairros e dos municípios vão compor um grupo executivo, que tocará os projetos. Eles marcarão uma reunião, nos próximos dias, com o diretor-executivo do Proep, Raul do Valle. "Vamos conhecer, também, as experiências que já estão em funcionamento", disse o padre. As escolas deverão oferecer ensino técnico de nível básico e médio.
Alfabetização - Durante a reunião, o ministro prometeu recursos para os grupos de alfabetização da região leste. A ajuda será em material didático e em recursos para a capacitação dos monitores. "Com os projetos aprovados, a verba deve sair em dois meses", afirmou o ministro.
"Temos hoje 600 núcleos de alfabetização de jovens e adultos", disse o padre, anunciando que até o fim do ano serão mil. Segundo o padre Ticão, o custo por aluno dos núcleos é de R$ 10,00. "Queremos uma contrapartida do Ministério da Educação (MEC)", explicou o padre.
"Temos jovens que nasceram na região e ainda são analfabetos", contou o padre, lembrando que as mulheres, de olho no mercado de trabalho, têm sido as principais frequentadoras dos núcleos.


