São Paulo tem supeita de caso de botulismo
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domingo, 28 de março de 1999
Por Luiz Roberto de Souza Queiroz 
São Paulo, 29 (AE) - O caso de uma menina de 17 anos com suspeita de botulismo, possivelmente causado por conserva de palmito de origem colombiana, movimentou hoje a Secretaria da Saúde de São Paulo. A paciente, de Mogi das Cruzes, está na UTI do Hospital Sírio-Libanês, na Capital paulista, que enviou material para teste ao Instituto Adolfo Lutz. O resultado sairá em três dias.
A Vigilância Sanitária enviou equipes para Mogi das Cruzes para identificar e recolher os estoques dos produtos sob suspeita, enquanto a própria secretaria acionou a Organização Pan-Americana de Saúde para que o soro antibotulínico seja trazido com urgência dos Estados Unidos, onde está disponível em todos os aeroportos.
O Instituto Butantã, em São Paulo, também foi acionado, mas seu estoque é pequeno: 40 ampolas produzidas há 20 anos e com validade vencida no mês passado. Segundo o diretor do instituto, professor Walter Colli, o Butantã não tinha instalações adequadas para produzir o soro em condições de segurança para os funcionários. Quando houve o primeiro caso, em março de 1997, havia o produto, hoje com validade vencida. "Foi uma infeliz coincidência a ocorrência de outro caso agora", disse Colli.
O professor explicou que a reforma do instituto, que permitirá a retomada da produção, só ficará pronta entre setembro e outubro. Segundo Colli, se os médicos acharem que vale a pena, o soro com validade vencida está à disposição. A equipe do Sírio-Libanês ainda não tomou a decisão de aplicar o medicamento, que não cura, apenas evita o agravamento do caso.
Risco - A paciente do Sírio-Libanês é a terceira afetada pela doença no Estado de São Paulo nos últimos anos. Em setembro de 1997, o Hospital das Clínicas atendeu a um caso; em março do ano passado, uma mulher foi contaminada em São Vicente, também por palmito, mas brasileiro; e na cidade goiana de Uruçuí houve quatro mortes na mesma família, em 1997, causadas por conserva de piqui.
O esporo do botulismo, muito resistente, multiplica-se dentro de conservas mal esterilizadas e, quando a toxina é ingerida pelo ser humano, fixa-se nas terminações nervosas, causando tipicamente a paralisia do diafragma e matando por asfixia. O paciente precisa ser ligado a máquinas para respirar artificialmente e, no caso da vítima de São Vicente, apesar de ministrado o soro, ela precisou ficar em ventiladores pulmonares por seis meses, lembra Dilma Scala Gelli, do Adolfo Lutz, uma das maiores especialistas na doença, que está fazendo os testes com a o sangue da paciente do Sírio-Libanês.
Segundo ela, o risco é maior nas conservas em vidro do que em lata, porque o vidro não suporta a temperatura que mataria o esporo do botulismo. O Ministério da Saúde formou um grupo com técnicos da Vigilância Sanitária e especialistas acadêmicos que deve reunir-se em breve para decidir se será ou não proibida a industrialização de palmito em vidros.


