São Paulo tem 3 crimes a cada minuto
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sábado, 02 de maio de 1998
Agência Folha 
Arquivo FolhaEstatísticaViolência explodiu no mês de março na Capital e Grande São Paulo. Policiais são responsáveis por parte dos crimesA polícia registrou 388.048 crimes no Estado de São Paulo no primeiro trimestre deste ano. Ou seja, foram praticados quase três delitos a cada minuto. O dado consta do mais completo balanço da criminalidade elaborado pela Secretaria da Segurança Pública. O estudo foi concluído na última quarta-feira.
O levantamento computa todo tipo de crime registrado pela polícia (contra pessoas, patrimônio, costumes etc.). Também estão incluídas as contravenções. O balanço divide o Estado em três regiões: Capital, Grande São Paulo e interior. No geral, a maioria dos delitos foi cometida no interior, que registrou 218.531 casos.
No entanto, Capital e Grande São Paulo lideram as estatísticas relativas aos crimes mais graves, como homicídios dolosos (quando há intenção de matar). Foi justamente nessa região que a violência explodiu no mês de março, quando todos os índices de criminalidade bateram recordes históricos.
Em todo o Estado, foram praticados 4.244 assassinatos, a maioria (3.062) intencional. Capital e Grande São Paulo foram responsáveis por 2.555 homicídios, sendo 2.120 intencionais. Foram registrados ainda 117 casos de latrocínio (roubo seguido de morte), 2.588 tentativas de homicídio e 67.704 lesões corporais.
O balanço mostra ainda que ocorreram 43.490 roubos nos três primeiros meses do ano, mais da metade (22.639) apenas na cidade de São Paulo. No caso dos furtos, a relação é inversa. Dos 89.664 casos registrados, 55.784 aconteceram no interior do Estado.
Ocorreram ainda 1.091 estupros e 2.453 casos de tráfico de entorpecentes. O levantamento revela também que aconteceram três sequestros no Estado no primeiro trimestre deste ano. Nesse mesmo período, 38.680 carros foram furtados ou roubados, mais da metade (20.117) na capital. Além de mostrar um panorama mais completo da criminalidade no Estado, o balanço traz ainda dados relativos à violência praticada pela polícia.
O secretário da Segurança, José Afonso da Silva, cobrou, no final do mês passado, mais eficiência das cúpulas das Polícia Civil e Militar. Também ficou acertado que as duas instituições realizarão mais operações em conjunto. Tanto Afonso da Silva como o coronel Carlos Alberto de Camargo, comandante-geral da PM, afirmam que o aumento da violência não é apenas um problema de polícia. Eles culpam também a crise econômica, o desemprego - que também é recorde - e a falta de um política de intervenção social nas regiões mais carentes.
Como resposta ao pedido do secretário, a PM criou na última quinta-feira as chamadas forças táticas, que vão combater crimes específicos de cada região, e prometeu intensificar o policiamento nas escolas estaduais.


