São Paulo registrou 250 mil ocorrências contra a mulher em 98
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domingo, 17 de janeiro de 1999
Antonia Lemos Agência Folha 
O Estado de São Paulo registra cerca de 250 mil ocorrências de violência contra a mulher por ano. Essa média se mantém desde 89, quando as Delegacias da Mulher começaram a se expandir. A maioria dos casos é de agressão física. O índice de violência permanece igual, diz Maria Inês Valente, coordenadora das Delegacias da Mulher do Estado de São Paulo. No dia-a-dia, não percebemos que os homens estejam mais sensíveis, diz Maria Inês.
As mulheres até percebem algumas mudanças no comportamento masculino, mas acham que eles ainda têm muito o que evoluir. Até temos percebido algumas evoluções, mas elas ainda estão muito abaixo do que a gente deseja, diz a médica Simone Diniz, do Coletivo Feminista, ONG que presta assistência a mulheres. Se a gente tiver como padrão as gerações anteriores, perceberemos uma grande mudança, mas tudo continua muito concentrado na mão das mulheres, diz.
Ela cita um exemplo: Quando os homens cuidam bem dos filhos, as pessoas falam que o homem é uma mãe, isso mostra que ainda existe preconceito. A museóloga Regina Vilma, 38 anos, é outra que vê poucas mudanças práticas no comportamento masculino. Não acho que eles estejam mais sensíveis, meu marido sempre me ajudou, mas ele sempre foi visto como exceção. A estudante Renata Garcia, 20 anos, acha que, quando o assunto é machismo, pouca coisa mudou.
Tudo fica na mão das mulheres. Alguns homens até tiram onda de sensíveis, mas se aproveitam disso para agirem como canalhas, diz. A presidente do Conselho Nacional da Mulher, Rosiska Darcy Oliveira, é mais otimista. As coisas estão mais abertas, estamos caminhando para um momento em que as pessoas estão ficando mais interessantes. A modernidade trouxe vantagens indiscutíveis.
Rosiska acredita que os homens estão passando por um processo de feminilização.Esse é um momento fascinante da história, os papéis de homens e mulheres na sociedade estão mudando. Segundo ela, isso está sendo motivado por vários fatores. A crise econômica faz com que as mulheres trabalhem, e hoje, por causa da crise, muitos homens desempregados estão ficando em casa, isso faz com que eles valorizem mais o trabalho doméstico, diz.


