São Paulo quer que donos da Paranapanema dêem preferência a indústria nacional
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 23 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, comprometeu-se hoje, durante reunião com empresários do setor de infra-estrutura, que o edital de venda da empresa energética Paranapanema trará uma cláusula que obriga os futuros concessionários a darem preferência, no momento da compra de equipamentos, ao produto nacional que tenha o mesmo preço e qualidade do estrangeiro. "Vocês não estão pedindo favor, mas igualdade", disse Covas a empresários reunidos na Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib). "Não há nada de acintoso de proteger ou, pelo menos, estimular o que está sendo feito no Brasil", afirmou Covas, ponderando que essa é uma forma de proteger o emprego dos brasileiros.
Para recuperar a competitividade da indústria de São Paulo, o presidente da Abdib, José Augusto Marques, listou duas prioridades: a reforma tributária e a flexibilização da legislação trabalhista. No próximo dia 14 de julho, a Abdib terá um encontro, em Minas Gerais, com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, para discutir "algum tipo de flexibilização" nas contratações e pediu o apoio de Covas.
"A carga tributária atual nos tira a produtividade", disse Marques, criticando a guerra fiscal entre os Estados, o que, segundo ele, "além de ser injustiça e pouco inteligente, transfere a riqueza do País para fora". Segundo ele, os empresários querem a reforma tributária, mas ouvem no Congresso que São Paulo se opõe à proposta, porque o Estado perde receita com as mudanças. "Na minha visão, a mudança é positiva do ponto de vista da economia", respondeu Covas, defendendo o estabelecimento de compensações ao Estado já que São Paulo perderá 16% de sua atual receita.
Acompanhado de quatro secretários (Trabalho, Ciência e Tecnologia, Transportes e Fazenda), Mário Covas abriu a discussão aos empresários, explicando não ter respostas prontas para aumentar a competitividade da indústria de São Paulo. Disse entender o "drama" dos empresários prejudicados pela guerra fiscal, revelando dúvidas sobre sua decisão de não entrar na briga por indústrias: "Fico sem dormir toda noite, pensando se faço o mesmo aqui".
Covas apóia a prorrogação da atual Lei de Informática, que encontra resistência junto à equipe econômica. Segundo os empresários da Abdib, o setor de informática responde por 170 mil empregos diretos e indiretos em São Paulo, sendo 30 mil de nível universitário, já que 75% dos empregos do setor estão no Estado.


