São Paulo, 24 (AE) - São Paulo poderá ter feriado na sexta-feira de carnaval do ano 2000. O pedido começa a ser estudado para um feriado municipal ou bancário. No mínimo deve ser decretado ponto facultativo do funcionalismo público pela Prefeitura em 3 de março do próximo ano, quando será realizado o primeiro dos dois desfiles das escolas de samba do Grupo Especial.
Pelo que foi discutido no 1.º Seminário Técnico Carnaval: 500 anos do Descobrimento, hoje, a Liga das Escolas de Samba de São Paulo (Liga) não só recomenda o feriado como teme os transtornos que possam ocorrer na principal cidade do País com a realização do evento, no Sambódromo, em pleno dia útil. Como em todos os anos, para organizar o carnaval é necessário o fechamento da pista local da Marginal do Tietê e algumas das principais vias de acesso ao Terminal Rodoviário do Tietê, a partir das 12 horas.
Dá para imaginar o que se pode causar em termos de congestionamentos em toda a região próxima das Marginais do Tietê e do Pinheiros, principais vias de escoamento de tráfego na saída do paulistano para as Rodovias Fernão Dias, Dutra, Ayrton Senna, Bandeirantes e Anhanguera, com reflexos na Castelo Branco, Raposo Tavares e Régis Bittencourt. Este ano, o congestionamento na sexta-feira de carnaval chegou a 164 quilômetros.
"Como não queremos travar a cidade, convidamos mais cedo os principais órgãos envolvidos na organização para apresentar a cada um os planos e não causarmos prejuízos aos paulistanos que vão sair da cidade e dar conforto aos que vierem para o Sambódromo", disse o diretor-técnico da Liga, Antonio Pereira.
Do encontro, no Palácio das Convenções do Anhembi, participaram representantes do Comando de Policiamento de Trânsito, Companhia de Engenharia de Tráfego, Polícias Civil e Militar, Guarda Civil Metropolitana, Corpo de Bombeiros, Secretaria das Administrações Regionais, Anhembi Turismo e Eventos, Vara da Infância e Juventude, São Paulo Transportes, Departamento de Controle e Uso de Imóveis (Contru), Grupo VR, Secretaria Municipal de Saúde, Eletropaulo, Telefônica, TVA e NET. Segundo o diretor de Eventos da Anhembi, Robson de Oliveira
cada um dos órgãos terá reuniões para resolver questões específicas de cada setor, principalmente em relação à sexta-feira, caso não consigam a decretação oficial de feriado municipal.
Bancos - A entidade quer que a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) conceda feriado bancário na cidade no dia 3 de março. Segundo a entidade, o pedido será encaminhado ao Banco Central, que tem o poder de decidir ou não pelo fechamento das agências em São Paulo. O feriado é até possível, mas dificilmente será aceito porque os bancos não têm interesse no fechamento, por causa dos prejuízos. Tanto que a quinta-feira da Semana Santa, que este ano foi feriado bancário, já terá novamente agências abertas no ano que vem.
O vereador Antônio Goulart (PMDB) disse que teve a confirmação do prefeito Celso Pitta de que, pelo menos, o ponto facultativo será decretado. Segundo ele, que convive no meio carnavalesco há 30 anos - sua escola, a Gaviões da Fiel, desfila na sexta-feira -, é o evento mais importante para o turismo da cidade, que já recebe milhares de visitantes de negócios, mas os perde para outras cidades no turismo de lazer. "É uma medida imprescindível ao planejamento das festividades carnavalescas que marcarão o fim do milênio e trarão incentivo à indústria do turismo em São Paulo, deixando o carnaval paulistano no mesmo patamar dos tradicionais espetáculos carioca e baiano", afirmou.
Para amenizar os problemas de transporte de carros alegóricos, os concessionários de telefone, energia e TV a cabo vão participar das reuniões de infra-estrutura para resolver rapidamente problemas como desligamento de semáforos, quebra de fios e cabos que possam interromper os sinais de transmissão. Os barracões das principais escolas também estão sendo transferidos para a região do Anhembi.
Para facilitar a chegada dos componentes das escolas e do público ao Sambódromo, a CET e o CPTran vão fazer algumas alterações viárias no acesso ao Anhembi. A Guarda Civil Metropolitana deve atuar na proibição de vendedores ambulantes na região, nos dias de desfiles.

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