Brasília, 19 (AE) - O governo do Estado de São Paulo poderá, a partir de setembro, reduzir em média 20% os valores dos pedágios cobrados dos caminhões que circulam nas rodovias paulistas privatizadas. Segundo o secretário de Transportes de São Paulo, Michael Zeitlin, esta redução poderá ser feita com a alteração na atual metodologia de cobrança. Existiriam apenas três categorias de caminhões de acordo com a quantidade de eixos e não mais cinco tipos, como ocorre atualmente.
"Eles (os caminhoneiros) vão pagar efetivamente menos na boca do pedágio", disse Zeitlin, que participou hoje de uma reunião de avaliação da greve dos caminhoneiros com o ministro dos Transportes Eliseu Padilha e os representantes do Fórum Nacional dos Secretários de Transportes. O secretário afirmou que as negociações com as nove concessionárias de rodovias, governo estadual e caminhoneiros estão próximas da conclusão. "Trabalhamos para achar a solução até o fim deste mês", afirmou.
Uma das preocupações do governo paulista é evitar que esta redução no valor dos pedágios leve à perda de receita das concessionárias, o que poderia levar a questões judiciais por quebra de contrato. O secretário admitiu que existem três alternativas sendo analisadas para manter o equilíbrio econômico financeiro dos contratos. O primeiro seria alongar o prazo das concessões, dando mais tempo para as empresas explorarem as estradas. Outra opção seria o governo paulista abrir mão de parte do pagamento mensal do valor ofertado pelas concessionárias para explorar as rodovias. A terceira alternativa seria alterar as obrigações de investimentos em obras e serviços nas estradas. "Estamos procurando fugir desta última possibilidade", disse Zeitlin.
Em todos os casos o secretário admitiu que o governo paulista deverá deixar de receber as receitas previstas com as concessões, que rendem cerca de R$ 13 milhões por mês ao Estado. Com a redução nos valores do pedágio, a perda das empresas poderia ser compensada no valor pago pelas concessionárias ao governo. Ele estima que esta compensação poderia chegar a uma média de R$ 3 milhões ao mês.
A nova metodologia para cobrança do pedágio dos caminhões implica em cobrar um pedágio para os caminhões leves (de dois eixos), outro para os caminhões médios (de três e quatro eixos) e um terceiro para os pesados (com cinco ou mais eixos). Quanto mais pesado for o veículo, menor seria o aumento do valor do pedágio. Hoje, cobra-se um preço proporcionalmente maior para cada eixo do caminhão.
"Os grandes veículos pagam muito mais, e são mais eficientes economicamente", explicou o secretário. O desconto será diferenciado por categoria, mas deve ficar em média em 20%. "Em algumas categorias vai ser menor que 20% e outras vai ser maior", disse Zeitlin. Para os carros de passageiros não haverá alteração. "Nós achamos que para o carro de passageiro é justo o pedágio que se cobra", afirmou o secretário de Transportes do Paraná, Heinz Georg Herwig.
Com a nova metodologia, o governo de São Paulo vai interromper o sistema de venda de cupons, que dá um desconto de 20% nos pedágios. Em funcionamento desde novembro passado, este sistema é considerado limitado, pois atinge apenas 10% dos cerca de 1 milhão de caminhoneiros que trafegam por São Paulo.
Greve - Na reunião com Padilha, os secretários de transporte decidiram "uniformizar no que for possível", as condutas sobre o movimento dos caminhoneiros. O Ministério dos Transportes sugeriu que os Estados criassem grupos que integrem representantes dos caminhoneiros para articular um debate permanente com a categoria. "Assim poderíamos ter uma visão e um retrato do que os motoristas estão pensando e não seríamos surpreendidos por movimentos da categoria", disse Padilha.
Além disso, o governo federal solicitou que os Estados abram um diálogo com as representações das concessionárias para tornar mais transparente a metodologia de cobrança dos pedágios. Atualmente, além de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, têm rodovias estaduais com pedágio.

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