São Paulo mantém participação na produção de riqueza nacional
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 02 (AE) - O Estado de São Paulo, a despeito de todas as dificuldades que atingiram com maior peso a indústria de transformação nos últimos anos, perdeu muito pouco de sua participação na riqueza nacional. Levantamento divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), unificou os critérios de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) de todos os Estados. Segundo a pesquisa, São Paulo, que em 1985 respondia por 36,12% da produção nacional, em 97 (último ano da análise) ainda detinha 35,48%, apesar de todas as perdas da indústria.
"O que impressiona é justamente o quão pouco São Paulo perdeu: pouco mais de meio ponto percentual", comentou o presidente do IBGE, Sérgio Besserman, ao apresentar os indicadores. Cada ponto percentual do PIB, em valores de 97, corrresponde a R$ 8,64 bilhões. Como a queda paulista foi de exatamente de 0,64 ponto percentual, a perda foi equivalente a cerca de R$ 5,5 bilhões. A relação, em termos do total representado por São Paulo é tão pequena que o Estado nem entrou na relação dos que mais perderam peso no PIB, lista encabeçada por Rio de janeiro, Bahia, Sergipe e Alagoas.
Para o economista-chefe do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, José Guilherme Reis, a primeira conclusão das estatísticas do PIB regional não chega a ser nova: o quadro da produção nacional mudou pouco em 12 anos. Os oito Estados mais representativos para o crescimento econômico continuaram os mesmos e a mudança na ordem de importância entre eles foi quase nula. "O ponto a ser levantado agora é: será que os instrumentos para o desenvolvimento regional estão funcionando?", indaga o economista, referindo-se a fundos de incentivo que atendem, especialmente, às regiões Norte e Nordeste do País.
O PIB per capita da Região Nordeste, de R$ 2.494, corresponde à metade da média nacional e a um terço da registrada no Sudeste (R$ 7.436) em 97. Besserman chama a atenção para o fato de o período estudado ainda não apresentar o resultado da migração de indústrias para o Nordeste e prevê que os levantamentos de 98 e 99 devem apresentar alguns. "É possível que haja tendência de crescimento no Nordeste." As estatísticas apontam para o deslocamento do desenvolvimento do País em direção ao Centro-Oeste, embora os técnicos concluam que o período de tempo estudado ainda seja insuficiente para revelar mudanças profundas na posição relativa de cada Estado. "No Mato Grosso, fatores dinâmicos da economia, especialmente a agroindústria, apontam para o crescimento", diz o presidente do IBGE. O Estado foi o que apresentou uma das maiores taxas de crescimento do PIB de 98 a 97: 144,5%.
"O Mato Grosso teve elevação de mais de 100% na produção agropecuária mas", destaca Eduardo Pereira Nunes, que coordenou o Projeto de Contas Regionais do Brasil. No início do estudo da série o Estado representava 40% do PIB do Centro-Oeste. No fim, sua participação havia aumentado para 70%. "A importância das Contas Nacionais é o que isto significa para a formulação de políticas públicas", diz o ministro de Orçamento e Gestão, Martus Tavares. "E a evolução dessa variação de cara nos induz a pensar em reformular a política pública, é instantâneo." O ministro, mais tarde, explicou que, com a afirmação, quis dizer que as políticas públicas estão em contínua reformulação.


