São Paulo, 17 (AE) - Se as promessas forem mesmo para valer, São Paulo terá até o fim do ano a polícia trabalhando totalmente informatizada. O primeiro passo nessa direção será a efetiva integração territorial das duas polícias, a Civil e Militar, que deve começar em 1º de maio. "A informática será o grande mote de integração das duas polícias", afirma Alexandre Schneider, chefe de gabinete da Secretaria de Segurança Pública.
Com as áreas de atuação geográficas compatibilizadas, a região de cada companhia da PM passa a coincidir com a de responsabilidade de um distrito policial. A partir da aproximação física, terá início uma interligação dos centros de comunicação e de todo o processo de planejamento operacional das duas polícias. A principal promessa, depois da informatização, é a instalação de centros de investigação eletrônica em cada delegacia de polícia.
O secretário de Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, deve instituir em um mês o Comitê Gestor de Informação, que integrará num só projeto os diferentes Planos Diretores de Informática (PDI) das diferentes instituições de segurança pública - Polícia Civil, Polícia Militar, Detran, Polícia Científica e Corpo de Bombeiros. A partir da aprovação do PDI único, que deve ocorrer em dois meses, começam os programas de melhoria de gestão da polícia.
O primeiro desses programas é o projeto de estatística mapeada. Todos os dados de cada Boletim de Ocorrência passam a ser enviados em tempo real para um servidor único na Delegacia-Geral de Polícia (DGP). Esses dados vão compor uma espécie de "mapa do crime", afirma álvaro Gabriele, diretor de Informática da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), responsável pelo gerenciamento técnico de todo o programa de informatização da secretaria.
Mapa criminal - Os dados serão trabalhados no servidor da DGP, permitindo identificar horário e local exato de cada crime na cidade, ao mesmo tempo em que a queixa é apresentada na delegacia. Esse mapa permitirá medir incidência de crimes por ruas e áreas. O mesmo mapa disponível na tela de cada secccional de polícia, de cada delegado ou comando de companhia da PM, apontando a incidência de crimes na área, estará na tela do secretário da Segurança Pública e na mesa do governador Mário Covas.
"A cultura operacional da polícia vai mudar", afirmou o delegado Mauricio José Lemos Freire, diretor do Dentel, Departamento de Telemática da Polícia Civil. Os dados do BO desenham o mapa do crime, explicou Lemos Freire, mas depois alimentam o mesmo servidor central da DGP com dados sobre o modus operandi de cada crime, com detalhes sobre o perfil e biotipo do criminoso, e outros dados importantes, permitindo uma "investigação eletrônica" que agrupe tipos de crime. O diretor do Dentel explicou que muitas vezes o mesmo criminoso age do mesmo modo em diferentes áreas da cidade ou do Estado e a máquina permitirá ligar os diferentes dados . O sistema permitirá também a construção de retratos falados a partir dos dados dos BOs, porque oferecerá padrões básicos para a vítima colaborar na descrição do criminoso. Será possível também fazer reconhecimentos de fotos de criminosos na delegacia por esse sistema.
Planejamento - O diretor da Prodesp lembrou que seccionais já fazem isoladamente mapas de crimes, mas a partir desse projeto as informações serão sistematizadas, com acesso muito mais rápido. O planejamento da ação da polícia "vai independer da vontade do agente", segundo o diretor do Dentel, porque o sistema de informatização oferecerá os critérios de urgência para a ação policial.
Os 103 distritos da capital funcionarão como "estações de captura" de informações, segundo o diretor da Prodesp. Esses dados serão repassados para a Polícia Militar para ação preventiva. O centro de treinamento na DGP já capacitou 700 escrivães de polícia para alimentar o sistema. Todos os investigadores e delegados da capital devem passar pelo mesmo treinamento. Alguns testes já foram feitos para expandir o sistema.
A previsão é transformar primeiro as seccionais do interior em estações de captura e análise de dados até o fim do ano. O sistema de informação permitirá investigação mais ágil e um cerco eletrônico ao crime.

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