O Estado de São Paulo acordou ontem sob o terror da terceira onda de ataques da organização criminosa PCC -Primeiro Comando da Capital. O atentado com maior poder de destruição foi o que atingiu o prédio do Ministério Público Estadual, localizado no coração histórico da capital, cuja fachada foi detonada por uma bomba de fabricação caseira acionada por controle remoto às 5h10.
O impacto da explosão deixou uma cratera de 20 centímetros de profundidade, fez ruir o teto, sucateou o detector de metais e a aparelhagem de raio X, instalados na recepção do prédio. A onda de choque também estilhaçou janelas e arrombou portas de ferro dos prédios vizinhos.
No começo da manhã, em outro ataque, uma granada de uso exclusivo do Exército caiu ao lado do setor de atendimento do posto do Poupatempo da Luz, também no centro. Ninguém saiu ferido só porque a granada não explodiu -apesar de o pino ter sido puxado. O horário de atendimento já estava aberto. No andar de cima fica uma garagem da Polícia Civil.
Mais um artefato foi lançado contra o prédio da Secretaria de Estado da Fazenda, ao lado do mesmo Poupatempo.
96 ataques- Na nova onda de violência do PCC (as primeiras foram em maio e julho), em 17 cidades, houve 96 ataques -incluem-se aí 25 ônibus queimados, três deles no início da noite de ontem, 34 agências bancárias e 12 postos de gasolina. Dois supermercados e um estacionamento perto do prédio do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado) também foram atacados.
Segundo a polícia, 40 alvos foram atingidos por coquetéis molotov, 26 por disparos de arma e 11 por artefatos explosivos. Até as 17h, dois acusados de pertencer à facção criminosa tinham sido mortos pela polícia. Outros 12 estavam presos, segundo o comandante-geral da Polícia Militar de SP, Elizeu Eclair Teixeira Borges.
O sistema prisional paulista voltou a entrar em alerta por causa dos ataques e da expectativa de rebeliões nesta semana. Diretores de penitenciárias da capital paulista e do interior cortaram as folgas programadas, assim como a saída de agentes para licença ou férias. A intenção é vigiar os detentos com atenção maior com o objetivo de evitar que eles organizem os motins.

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