São Paulo, 20 (AE) - O governo de São Paulo confirmou hoje a decisão de adiar a venda da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), maior empresa de geração de eletricidade do País, com capacidade instalada de 11 mil megawatts. O conjunto de 23 hidrelétricas do Estado foi dividido em três blocos que iriam a leilão entre 26 de maio e 16 de junho. Desde o blecaute ocorrido em março, porém, o movimento contra as privatizações ganhou força. Já foram adiados por seis meses os leilões da Chesf e da Eletronorte. A área de distribuição da Cesp, a Elektro, já foi privatizada no ano passado por US$ 1,2 bilhão, com ágio de 98,9% sobre o preço mínimo.
Com a venda da geração da Cesp, o governo espera arrecadar cerca de R$ 4 bilhões, além de transferir para os futuros concessionários uma dívida de US$ 9 bilhões a vencer até 2024.
Hoje, o vice-governador Geraldo Alckmin, coordenador do Programa Estadual de Desestatização (PED), anunciou oficialmente que o leilão da primeira unidade de geração da Cesp a ir a leilão, que reúne as hidrelétricas do Rio Paraná (Cesp remanescente), não será mais vendida em 26 de maio. "Com certeza não será na data prevista", comentou. Os leilões da Cesp Paranapanema e da Cesp Tietê, programados para 9 e 16 de junho, também podem ser adiados. O cronograma será refeito nos próximos dias, disse Alckimin. "Não será um adiamento longo", garantiu.
O vice-governador disse que o governo vai procurar esclarecer melhor os prefeitos e políticos do interior sobre o processo de privatização. Nos últimos meses cresceram as críticas em relação ao futuro das hidrelétricas. Os críticos da privatização dizem que não estão claros até o momento os compromissos dos futuros concessionários em relação à Hidrovia Tietê-Paraná, a mais importante do País, que deve transportar cinco milhões de toneladas de carga este ano.
Existem preocupações em relação aos projetos de irrigação e de turismo nos reservatórios. "Não temos nenhuma garantia de que os novos donos da Cesp terão interesse em continuar permitindo a utilização da água das represas", afirma José Augusto Rota, secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal Tietê-Paraná.
"Vamos esclarecer que estamos privatizando as hidrelétricas, e não a hidrovia", comentou Alckimin. Segundo ele, a tarifa de transmissão, outra dúvida que vem dificultando a privatização, já teria sido definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e deve sair nos próximos dias. A definição da receita de transmissão, que influi nas tarifas da geração, é um dos itens da composição do preço mínimo das geradoras.
O movimento da Assembléia Legislativa contra a venda da Cesp promoveu hoje, em Porto Primavera, mais uma reunião da série que vem fazendo no interior com os prefeitos das regiões próximas à área de concessão da Cesp. O deputado estadual Carlos Zarattini (PT), um dos coordenadores do movimento, reclama da falta de compromisso dos futuros concessionários em relação aos investimentos para ampliar a oferta de energia.
O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, afirma que todas as dúvidas serão esclarecidas antes do lançamento dos editais. Mas ele esclarece que não é possível exigir investimentos no setor de geração. "Quem deve garantir a oferta é a distribuição", afirma. A palavra final sobre a data da privatização da Cesp será dada pelo governador Mário Covas nos próximos dias.

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