São José dos Pinhais - A rotatividade de alunos, em função da industrialização e crescimento do município, é um dos grandes desafios para as escolas de São José dos Pinhais. Nos últimos anos, a cidade recebeu muitas famílias atraídas pela esperança de emprego. Algumas conseguiram se estabelecer, enquanto outras foram embora ou permaneceram em invasões e moradias precárias.
''Essa situação reflete na escola'', diz Cenira Teixeira Sucheck, diretora da Escola Municipal Castro Alves, que tem 402 alunos. O município está conseguindo garantir atendimento especial a mais de 90% dos alunos que estão em série inadequada à idade, garantindo a avaliação máxima do Programa Escola Campeã. Ela também está aumentando o reforço escolar a crianças ainda não alfabetizadas e defasadas. Hoje 66% têm aulas extras. ''Cheguei a ir na casa de um aluno de 13 anos que continuava na 1 série'', conta o sercretário Engelbert Schlogel, ressaltando que o envolvimento das famílias tem sido fundamental.
O sistema seriado continua e reflete em taxas mais altas de reprovação. Em 2002, 10,1% dos alunos ficaram retidos em suas séries. Apesar de o programa traçar metas de reduzir essa taxa para abaixo de 5%, o índice é bem menor do que os 30% de dez anos atrás.
Uma das principais qualidades do município ressaltada pelos responsáveis pelo programa refere-se à gestão das escolas. Além de implantar a escolha de diretores de escolas pelo critério de competência técnica, através de provas de conhecimento administrativo e pedagógico, São José é também a primeira cidade a avaliar o desempenho desses diretores.
Na luta contra o grande número de faltas dos alunos, a Escola Municipal Professora Lourdes Bonin implantou o projeto ''Frequência nota 100'', que acabou sendo substituído este ano pelo ''Aluno nota 100''. Mensalmente são conferidos certificados aos alunos que têm poucas faltas, bom desempenho escolar e bom comportamento. ''Tem aluno que chora em casa quando não pode vir para a aula e os pais passaram a participar e se justificar mais para os professores'', diz a diretora Marilene do Rocio Silveira.
O número de certificados também aumentou. Passou de 97 em abril para 190 em junho. ''Eu nunca falto, mas não ganhei o certificado porque faço bagunça na fila'', diz Cassiano de Araújo Rodrigues, 8 anos, aluno da 1 série. Na sala, Larissa Caroline Luiz, 8 anos, é citada por todos como um exemplo. Deficiente visual com 30% em apenas uma visão , ela cursa aula normal no sistema de inclusão de alunos especiais. Larissa já tem três certificados, desde a implantação do programa. ''Quando ganhei o primeiro, meu vô me deu uma rosa'', conta contente.

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