São José dos Campos quer restaruar prédio com Lei Rouanet11/Mar, 21:06 Por Júlio Ottoboni São José dos Campos, 11 (AE) - Alguns dos exemplares mais significativos da arquitetura histórica de São José dos Campos estão em acelerado processo de degradação. Os prédios das Estações Ferroviárias Martins Guimarães e Limoeiro e das Igrejas Nossa Senhora Aparecida e São Benedito são os que mais preocupam a prefeitura, que tenta conseguir, por meio da Lei Rouanet, R$ 1 5 milhão com a iniciativa privada para fazer as reformas. A cidade tem poucas construções dos períodos cafeeiro e sanatorial - que movimentaram a economia do município até meados deste século. Todas as construções sob risco são preservadas como bens de valor histórico pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural (Comphac). Embora isso não garanta a conservação dos monumentos. Com exceção da Igreja São Benedito, as outras construções estão com paredes, telhado, portas e janelas ruindo, com mato e sujeira. O estado dessas obras é de abandono. A equipe de arquitetos da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, que servem de consultores técnicos do Comphac, prepara os projetos de restauração das estações e igrejas. Na Estação do Limoeiro, de 1894, o mato esconde os antigos trilhos. A pequena parada de trem, que já serviu de residência e agência de correio, não tem portas nem janelas ou batentes. O reboco está caindo. A prefeitura aguarda o restabelecimento do convênio entre a Rede Ferroviária Federal e o município para recuperá-la, ao custo de R$ 130 mil. Vandalismo - A Estação Martins Guimarães, de 1898, ficou intacta por 100 anos, mas quase foi totalmente destruída por vândalos em 1998. Até as paredes foram demolidas, numa ação de extrema violência contra o patrimônio. Restou pouco de um dos mais belos exemplares da arquitetura ferroviária da cidade. Serão necessários R$ 170 mil para recuperá-lo. Segundo a arquiteta Sônia Di Maio, aparentemente, os dois prédios estão com suas estruturas estáveis e não há o risco de cair, mas é preciso fazer um estudo mais detalhado de suas fundações no momento da restauração. As estações foram construídas com tijolos trançados e suas parades têm poucas trincas. "Os projetos de restauro estão sob análise no Ministério da Cultura e a resposta pode sair ainda neste semestre", diz Sônia. A restauração das igrejas, que ficam no centro da cidade exige mais investimento. O projeto de restauração da Capela Nossa Senhora Aparecida, de 1908, foi concluído em 1999. Sua fachada está cedendo e as fundações foram abaladas pelo tráfego de veículos pesados na região. O custo é de R$ 220 mil. "A situação da parte estrutural é grave", afirma a arquiteta. A construção mais antiga do município é a Igreja São Benedito, erguida em 1870 com mão-de-obra escrava. Ela ficou interditada por vários meses em 1999. O telhado ameaçava ruir e foi montada uma estrutura metálica para sustentá-lo. A prefeitura ainda precisa de mais R$ 1 milhão para reparar o altar-mor. Existem rachaduras nas paredes, mas não há risco de desabamento.