Londres, 29 (AE-ANSA) - A afirmação de que "na guerra a verdade é a primeira vítima" foi novamente confirmada em Kosovo
segundo o jornalista anglo-australiano Phillip Knightley, que coloca em dúvida muitas das atrocidades atribuídas aos sérvios.
"Muitos relatos de atrocidades que chegam de Kosovo se revelaram falsos", sustenta o jornalista numa polêmica aberta com a maior parte dos meios de comunicação ocidentais. Knightley
autor de um livro sobre propaganda de guerra, "First Casualty", aconselha aos enviados especiais aos Bálcãs um "ceticismo prudente".
"Os jornalistas estão prontos para acreditar em tudo que possa pintar os sérvios como monstros", lamentou ele num recente artigo no Independent on Sunday. "Um sótão da polícia sérvia, por exemplo, foi descrito como uma câmara de torturas mas as provas são na verdade muito escassas."
Knightley apoiou suas suspeitas no fato de que no sótão a polícia de Slobodan Milosevic queimara documentos durante três dias e rapidamente partiu "esquecendo" os instrumentos de tortura.
O jornalista anglo-australiano afirma também que é preciso receber com prudência reportagens e artigos sobre massacres e valas comuns, geralmente atribuídas a "fontes de inteligência, à Otan e a porta-vozes militares".
As valas comuns "não revelam nada" se não se verifica "como morreram as pessoas que acabaram ali embaixo", disse Knightley.
"Os correspondentes de guerra - afirmou o autor - entraram em Kosovo com uma única idéia na cabeça - as atrocidades. Quem encontrará a maior e a pior?"
O jornalista opina que seus colegas estão condicionados pela forma como os países da Otan pintaram Slobodan Milosevic e a Sérvia, agitando o espectro do Holocausto e de Hitler. "As atrocidades são uma forma comprovada de suscitar ódio e confirmar a depravação do inimigo", argumenta Knightley, que também sublinhou que desde a guerra do Vietnã até agora as relações entre a imprensa e as forças armadas se inverteram.
"No Vietnã - explica - os meios de comunicação desconfiavam de qualquer coisa que diziam os militares. Em Kosovo, tendem, ao contrário, a acreditar em tudo o que dizem os militares."
A mudança, para Knightley, se deve ao fato de que em Kosovo a Otan "bombardeou em nome da paz, para salvar ou libertar" e portanto "são belicistas, ou paladinos da pacificação, ou nazistas todos os que se opõem à guerra".
Knightley lembra que durante a Primeira Guerra Mundial uma comissão liderada pelo Lord Bryce, um ex-embaixador inglês nos Estados Unidos, escreveu um arrepiante informe sobre atrocidades do exército alemão na Bélgica. E assim conseguiu-se consolidar na Grã-Bretanha a aprovação do esforço bélico contra a Alemanha, mas em 1922 soube-se que quase tudo havia sido baseado em rumores e que não existiam provas que apoiavam as "horrorosas revelações".

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