As histórias de vida de Sérgio São Bernardo, de 40 anos, e de Marcelo Antônio Alves dos Santos, de 29, têm pontos em comum. Ambos são negros. Ambos vieram de famílias pobres. Mas São Bernardo tornou-se advogado e hoje é um nome conhecido no ambiente das discussões que visam a igualdade racial. Já Santos não completou o ensino fundamental e está desempregado há dois anos.
''Parei de estudar com 17 anos para trabalhar'', diz Santos. Formado em Filosofia e Direito, São Bernardo pensou em abandonar os estudos. ''Eu me deparei com algumas das barreiras invisíveis que citei. Meus pais eram vendedores ambulantes, estudei em escola pública. As dificuldades são tantas que você pensa em desistir. Mas hoje sou mestrando em Direito e quero chegar a doutor'', conta o advogado.
Santos recentemente voltou a estudar. Quer terminar o ensino fundamental. Demonstra pessimismo quando perguntado sobre suas chances de conseguir trabalho. ''Você até faz uma entrevista de emprego, mas logo depois vem um rapaz loiro, bem vestido... O que conta para as empresas é a aparência, não a experiência. Eu já soube de casos de negros com boa escolaridade que tiveram que trabalhar como seguranças porque não conseguiam emprego melhor''. (F.G)

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