Rio, 21 (AE) - Ex-ministro extraordinário de Coordenação Política do governo federal, Luiz Carlos Santos tomou posse hoje na presidência de Furnas em meio a manifestações de hostilidade dos funcionários, que já marcaram greve para terça-feira. Eles vão novamente tentar impedir a realização da assembléia de acionistas, convocada para quinta-feira, para referendar a cisão da empresa em três e prepará-la para a privatização.
"É um momento difícil que só será superado por meio do diálogo", argumentou Santos. "Se fracassar a privatização de Furnas, será um dado altamente comprometedor para o desenvolvimento desta Nação", disse no discurso de posse, sendo vaiado pelos funcionários.
Escolhido para o cargo por sua facilidade de articulação política e também pela experiência que teve como secretário de Energia de São Paulo em 1992, Santos foi surpreendido, à entrada de Furnas, por uma manifestação que reuniu cerca de cem funcionários.
Alguns tiveram acesso ao auditório onde foi realizada a solenidade e interromperam algumas vezes o discurso, ora com vaias ora com intervenções do tipo "É ruim, hein?!" para promessas como a de manter o diálogo com os empregados. "Venho para respeitar o direito dos funcionários, assim como exijo comportamento civilizado e democrático", disse, em tom exaltado.
Uma funcionária entrou no salão com um nariz de palhaço, mas permaneceu em silêncio durante toda a cerimônia. "Luiz Carlos Santos tem a missão de pacificar esta casa", interveio o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio Neto, em seu discurso.
Cisão - Segundo ele, apesar do atraso na conclusão da cisão, inicialmente prevista para março, a privatização será feita ainda este ano. Das três empresas resultantes da fusão, duas geradoras serão transferidas à iniciativa privada e uma empresa de transmissão permanecerá sob o controle estatal.
Segundo Firmino, todas as liminares que impediram, há cerca de um mês, a realização da assembléia foram cassadas. "Isto não significa que o processo seja tranquilo", comentou.
Para os funcionários, não será mesmo. O diretor da Associação de Empregados de Furnas, Miranildo Cabral, informou que outras ações "no mesmo espírito" das anteriores serão encaminhadas à Justiça para suspender mais uma vez a assembléia.
Para Firmino, porém, a estatal só não seria vendida este ano "se tivesse uma crise de falta de compradores, o que não é o caso de Furnas". Ele afirmou que "em hipótese alguma" o governo considera a possibilidade de adiar a privatização para o ano que vem. Protesto - Com camisetas com a inscrição "Furnas: o Brasil não pode perder essa energia", os funcionários se concentraram na entrada do prédio do auditório e arrumaram sobre uma mesa pão de forma, lata de salsicha, patê, maionese, biscoito e água e colaram um cartaz com os dizeres: "Coquetel do acordo: champanhe para o patrão, miséria para o trabalhador".
Vaiaram todos os convidados que chegaram para a cerimônia e xingaram o líder do PFL na Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira. "Eu não esperava esta manifestação, mas isto não incomoda em nada", minimizou Luiz Carlos Santos.
Hoje ele recebeu, depois da posse, uma comissão de sindicalistas e está confiante em chegar a um acordo que garanta a privatização. "Este é um processo que vem se repetindo em todas as privatizações", alegou.

mockup