Santos, SP, 23 (AE) - Em menos de três meses, Santos, no litoral paulista, já registra 900 casos de dengue, preocupando as autoridades sanitárias do município. Em média, dez pessoas contraem diariamente a doença na cidade. Na sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou o primeiro caso de dengue provocada pelo vírus do tipo 2, aumentando os riscos da ocorrência da forma hemorrágica na região. O paciente trabalha no centro da cidade, mas mora no vizinho município de São Vicente.
De acordo com o secretário Edmon Atik, o rapaz não desenvolveu a dengue hemorrágica. "Mas o fato de transitar pelas duas cidades pode fazer com que tenha disseminado o vírus do tipo 2, aumentando a nossa preocupação, porque as pessoas que se infectaram anteriormente se, picadas pelo mosquito hospedeiro do tipo 2, correm o risco de desenvolver a forma hemorrágica, que é muito mais grave, podendo levar o paciente à morte", disse.
Desde 1997, a cidade vem apresentando um número crescente de casos de dengue. No ano passado, Santos foi responsável por 50% dos casos da doença registrados em todo o Estado de São Paulo, com mais de 4 mil doentes. Por causa da grande incidência da doença e do aparecimento do novo sorotipo, a SMS desencadeou uma batalha contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.
Toda cidade está sendo rastreada por 155 agentes e supervisores que, desde a semana passada, passaram a contar com o reforço de 50 homens da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen). Mutirões estão sendo realizados nas áreas mais atingidas, visando destruir os criadouros do mosquito. O maior problema é que 38% dos 200 mil domicílios existentes na cidade encontram-se fechados, o que impede a ação dos agentes. A SMS vem reiterando apelo aos proprietários dos imóveis para que tomem todos os cuidados com eventuais criadouros, como vasos com plantas aquáticas e recipientes que acumulem água parada. "Se cada um fizer a sua parte, temos certeza que poderemos erradicar de uma vez a doença da cidade".
Desde o dia 1º a população das nove cidades que integram a Baixada Santista está sendo vacinada contra a febre amarela, medida determinada pela Secretaria Estadual de Saúde, tendo em vista que a doença também é transmitida pelo Aedes aegypti, mesmo agente transmissor da dengue.

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