Santos, 19 (AE) - O prefeito de Santos, Beto Mansur (PPB), quer pavimentar 100 quilômetros de ruas, avenidas e praças do município, na área nobre e na periferia da cidade, até o fim de 2000. Para realizar o trabalho nos bairros mais carentes, a prefeitura está criando cooperativas como forma de garantir trabalho e remuneração para os desempregados.
De acordo com Mansur, as cooperativas estão sendo criadas por bairros e reúne os próprios moradores, desde que estejam desempregados. "A prefeitura dará o dinheiro necessário para a execução da obra, o material e orientação técnica, cabendo aos cooperados estabelecer a remuneração de cada um, de acordo com o tipo de serviço prestado", esclarece.
A primeira obra dentro desse novo esquema está prevista para ser realizada nos Caminhos São José e São Sebastião, localizados na zona noroeste, onde os habitantes moram em palafitas. Ao todo, serão dois quilômetros de pavimentação feita com mistura de escória (resido do aço fabricado pela Companhia Siderúrgica Paulista) com xisto betuminoso, uma tecnologia desenvolvida pela Petrobras, com resultados positivos quando aplicada em ruas residenciais. Nas duas vias, também serão instaladas redes de água e esgoto. "Os moradores interessados em se tornar sócios da cooperativa vão trabalhar e dividir o dinheiro", afirma o prefeito.
Mansur revela que, no município, cerca de 60 mil moradores (27,9% da população economicamente ativa) estão desempregados. "Com essas cooperativas, teremos os homens trabalhando durante toda a semana, aprendendo um ofício e mais ainda; estamos retirando esse pessoal dos bares."
A prefeitura, até então, vinha realizando o trabalho de pavimentação dos morros em parceria com a comunidade, em regime de mutirão. Nesse esquema, foram os moradores do Morro da Nova Cintra, que residiam na área conhecida como Pantanal 2, que executaram as obras de pavimentação de 1,5 quilômetro de rua, além de construir a rede de esgoto. "Oferecemos o material, o maquinário e orientação técnica e os moradores entraram com a mão-de-obra, trabalhando em regime de mutirão, gratuitamente, nos finais de semana." A obra levou quatro meses para ser executada.
Beto Mansur avalia que o trabalho em regime de mutirão é interessante para a prefeitura, na medida em que não paga a mão-de-obra, mas está convencido de que o sistema de cooperativa vai ajudar a combater a crise provocada pelo desemprego. "Os bairros da zona leste vão receber lama asfáltica em bairros como o Campo Grande, onde estamos retirando os trilhos de bonde para criar uma linha turística no centro da cidade." Para a execução do asfaltamento, será contratada firma especializada. O asfalto é produzido pela usina da empresa Progresso e Desenvolvimento de Santos (Prodesan), companhia municipal de economia mista. Já para pavimentar a periferia, foi estabelecido convênio com a Cosipa, que oferece a escória.

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