Santos pede ajuda do governo federal para combater dengue
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, SP, 08 (AE) - A prefeitura de Santos, no litoral paulista, quer contratar 1,2 mil pessoas para atuar como fiscais de quarteirão. A intenção é fechar o cerco ao mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, que já infectou 2.008 pessoas este ano; 60 apenas hoje. Para tentar convencer o ministro da Saúde, José Serra, da validade de seu plano e obter ajuda do governo federal, o prefeito Beto Masur (PPB) esteve hoje em Brasília.
Segundo ele, como Santos tem 1.670 quadras, cada inspetor ficaria com pouco mais de uma para fazer o controle dos focos da doença. "Em maio, deveremos ter o pico da dengue e a proposta é dividir o custo entre o ministério e a prefeitura", explicou. O programa seria realizado em seis meses e cada um dos contratados receberia um salário mínimo mensal. O custo total estimado é de R$ 1,6 milhão.
Com o plano, Mansur pretende ter todas as resid}encias da cidade visitadas uma vez por semana. "Como o fiscal será conhecido por todos os moradores, o trabalho de inspeção será facilitado", disse. O prefeito santista ainda não desistiu da idéia de usar helicópteros militares para a pulverização aérea de inseticida sobre a cidade, especialmente nos morros, locais de difícil acesso.
Hoje, foram confirmados mais 60 casos. Há também 1.017 pessoas com suspeita de ter contraído a dengue aguardando o resultado dos exames. Demissão - A deputada estadual Maria Lúcia Prandi (PT) classifica a intenção da prefeitura como "pirotécnica". "A prefeitura deveria intensificar ações menos extravagantes", disse, defendendo a pulverização de casa em casa. "Além de não resolver o problema, a pulverização aérea poderá causar intoxicação em pessoas, especialmente crianças e idosos, e danos ao meio ambiente", disse ela em pronunciamento feito hoje na Assembléia Legislativa.
Na Câmara de Santos, a vereadora Suely Morgado (PT) reagiu à suspensão da campanha de prevenção nos feriados da Páscoa e está pedindo a demissão do secretário da Saúde, Edmon Atik. Como os apartamentos de veraneio estavam quase todos ocupados, ela entende que seria uma oportunidade para fazer a vistoria. "Além disso, os trabalhos não poderiam ter sido paralisados durante esses quatro dias, já que as condições eram propícias à ação do mosquito, com calor excessivo, chuvas rápidas, grande concentração de pessoas e lixo acumulado".
A deputada federal Telma de Souza, também do PT, relatou na Câmara dos Deputados que "a epidemia está fugindo de qualquer controle possível, com famílias inteiras doentes". Ela já contraiu a doença e teme a dengue hemorrágica. Como Mansur, defende uma atuação mais efetiva do Ministério da Saúde para conter a epidemia.


