Santos Dumont foi primeiro turista
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Mônica Venson Especial para a Folha 
ReproduçãoHistóriaVista de Foz na década de 40; Santos Dumont conferiu beleza das Cataratas em 1916 O ilustre brasileiro Alberto Santos Dumont, conhecido como o Pai da Aviação, pode ser considerado o primeiro turista a apreciar as belezas das Cataratas do Iguaçu. Santos Dumont também foi o responsável pela desapropriação, pelo governo Estadual, das terras na margem direita do Rio Iguaçu, no trecho onde estão as Cataratas.
Os arquivos históricos relatam que Santos Dumont estava hospedado na Argentina, na fronteira com o Paraná, e que Frederico Engel, dono do primeiro hotel de Foz do Iguaçu, interessado no turismo local, organizou uma comitiva que teria a missão de convidar o Pai da Aviação para conhecer as Cataratas.
Então, no dia 24 de abril de 1916, Santos Dumont se hospedou no quarto número 2 do Hotel Brasil. Ele permaneceu em Foz, na época Vila Iguassu, por três dias.
Elfrida Engel, filha de Frederico Engel, relata que Santos Dumont estava ansioso para conhecer as Cataratas e fez o passeio várias vezes para admirar a paisagem sob a luz do luar. Cada viagem demorava em média quatro horas e era feita a cavalo.
Os pioneiros contam que, ao chegar às Cataratas, Santos Dumont caminhou em direção a um grande tronco de árvore enroscado entre as pedras e o salto Floriano (uns dos mais famosos do conjunto) e lentamente equilibrou-se na beira do abismo. Ficou lá por mais de meia hora, comtemplando o espetáculo da Garganta do Diabo (salto em forma de ferradura que concentra o maior volume de água).
Segundo a história, Santos Dumont ficou indignado ao saber que a área das Cataratas pertencia ao uruguaio Jesus Val. Ele teria dito a Engel: Posso dizer-lhe, Frederico Engel, que estas maravilhas não podem pertencer a um particular. A frase está registrada numa placa que fica na base do memorial erguido em homenagem ao Pai da Aviação.
Memorial Em 1979, depois de anos de luta, Elfrida Engel solicitou ao prefeito de Foz na época, o coronel Clóvis Cunha Viana, que fosse erguida uma estátua em homenagem a Santos Dumont. O memorial, que fica em frente ao mirante das Cataratas, no Parque Nacional do Iguaçu, foi doado pela companhia aérea Vasp, em 21 de março de 1979, a pedido do coronel Viana. A estátua é de bronze, com 1,90 metro de altura e pesa 120 quilos.
No pedestal da estátua, pode-se ler a célebre frase do Pai da Aviação, que, ao descer do tronco em que se equilibrava, numa altura de quase 80 metros, teria dito a Engel, apavorado com a atitude de Santos Dumont: As alturas não me intimidam.
Contam os moradores que Santos Dumont enviou uma carta ao governo do Paraná solicitando a desapropriação das terras. De fato, três meses depois, em 28 de julho de 1916, foi publicado o decreto-lei número 653, declarando a propriedade como área de utilidade pública.
Em 1939, através do decreto federal número 1.035, o presidente Getúlio Vargas criou o Parque Nacional do Iguaçu. Hoje a reserva abrange uma área de 170.086 hectares - que corresponde à metade do Estado de Sergipe - e está tombado pela Unesco (órgão das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) como Patrimônio Natural da Humanidade.


