Santos anuncia medidas para conter violência na cidade
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, SP, 09 (AE) - O prefeito de Santos, no litoral paulista, Beto Mansur (PPB), anunciou, hoje, a criação de uma assessoria especial de segurança que vai promover um trabalho conjunto com as polícias Militar e Civil, Poder Judiciário e demais órgãos municipais. O objetivo é diminuir a violência na cidade. Serão formadas várias comissões entre os órgãos responsáveis pela segurança pública.
Mansur pensou em uma medida de maior impacto: determinar o fechamento dos bares às 2 horas da madrugada para restringir a venda de bebidas alcoólicas. Mas resolveu adiar a decisão para que as comissões estudem melhor o assunto. "Mas vamos coibir a venda de bebidas a menores, multando pesadamente e até mesmo fechando estabelecimentos que não cumprirem a lei", prometeu.
A criação da assessoria especial foi comunicada hoje, durante reunião com as autoridades locais, para discutir o problema que já o levou a cancelar os festejos carnavalescos. A medida foi tomada após a morte de dois adolescentes em um tiroteio durante desfile de bandas e o assassinato de um promotor de vendas que tentava apartar uma briga. Polícia - No encontro, o comandante da Polícia Militar, Fernando Paulo de Lima Júnior, anunciou que "a PM vai importunar muita gente". Segundo ele, Polícia Militar irá trabalhar em conjunto com a Civil, aumentando as ações de bloqueio, parando táxis e ônibus e identificando quem está nas ruas. "Tudo será feito obedecendo a lei", garantiu.
As estatísticas estão sendo cruzadas para fornecer o quadro da violência na Baixada Santista. "A violência na região não é localizada, é generalizada e estamos tomando todas as medidas para conter esse avanço da criminalidade". Drogas - O juiz Manoel Luiz Ribeiro, diretor do Fórum de Santos, acredita que o problema das drogas em Santos "é quase incontrolável". "Quando a dona de casa vai para a rua traficar para compor o orçamento doméstico, a gente percebe a gravidade da situação". O magistrado ressaltou que a campanha iniciada para conter a onda de violência deve abranger também os demais municípios da Baixada Santista. "Não adianta buscar uma solução só para Santos, pois os problemas das cidades vizinhas são idênticos".
O prefeito comprometeu-se a contatar os prefeitos das outras cidades da Região Metropolitana para envolvê-los na campanha. Pediu que os vereadores aprovem com urgência as medidas que serão tomadas para conter a violência.
Foi proposto, ainda, o recolhimento dos menores que fossem encontrados nos bares ou nas ruas durante a madrugada, mas a juíza Elizabeth Freitas, da Vara de Infância e Juventude, rejeitou a intenção. "A prefeitura pode regulamentar o funcionamento dos bares, mas não se pode restringir o direito de sair de casa e de ir e vir, sob pena de responder por abuso de autoridade".


