Santo recebe reverências na igreja e no terreiro
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sexta-feira, 23 de abril de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Não é à toa que São Jorge é um dos santos mais populares do Brasil. Num país onde é preciso vencer um ''dragão'' por dia e de muita ''luta'' para sobreviver, nada melhor que contar com a ajuda de um santo guerreiro. E apesar de muita gente achar que ele é um ''santo que não é santo'', seu culto continua dentro da Igreja Católica. Na umbanda, simboliza o orixá Ogum. Ontem, foi dia de homenagear São Jorge, na data de sua morte. Em Londrina, hoje também tem festa de Ogum para os devotos do orixá.
Segundo o assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina, padre Valter Muniz dos Santos, a data de comemoração de São Jorge foi apenas retirada do calendário universal de santos da Igreja Católica, mas ele continua santo. Hoje, segundo o padre, a data só é celebrada em locais de devoção do santo, como a Inglaterra. ''No Brasil que eu saiba não há nenhuma igreja dedicada a ele'', informou.
Jorge nasceu no século três depois de Cristo, na antiga Capadócia, região que hoje pertence à Turquia. Capitão do exército romano, ele se converteu ao cristianismo e morreu por não renegar sua religião durante o Império Romano. Ele foi decapitado no dia 23 de abril de 303 a mando do imperador Diocleciano, que resolveu matar todos os cristãos. A bravura de Jorge fez com que rapidamente se tornasse popular.
Na umbanda, o sincretismo com Ogum também não é à toa. Segundo o umbandista Cláudio Muller, de Londrina, ''de certa maneira'' Ogum é o santo mais forte da umbanda, é o senhor dos guerreiros e deus dos instrumentos. ''Ele tem como característica ser 'brigador', guerreiro, vencedor de demandas. É o senhor dos caminhos junto com Exu, um para desvendar os caminhos, o outro para assegurar o direito desses caminhos'', explicou, acrescentando que, na umbanda, Ogum também é representado por Santo Antonio em algumas regiões do país, principalmente na Bahia.
No candomblé, também há o sincretismo, mas a religião não comemora o dia de São Jorge, mas sim o dia de Santo Antonio, quando uma festa também homenageia o orixá. ''O sincretismo aconteceu para que fosse mantida a religiosidade africana no Brasil'', enfatizou a mãe-de-santo Vilma Santos de Oliveira, mais conhecida como Yá-Mukumby, filha de Ogum.
Serviço: A festa em homenagem a Ogum acontece hoje a partir das 17 horas no Cantinho do Pai João de Aruanda, na Rodovia Mábio Malhano, 5.600, Patrimônio Espírito Santo. A festa é aberta ao público.


