Santander e BBV traçam cenários otimistas para economia do País
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domingo, 04 de julho de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 5 (AE) - Os presidentes do Grupo Santander Brasil e do Banco Bilbao Vizacaya (BBV), António Horta Osório e Vicente Benedito, respectivamente, traçaram um cenário bastante otimista para a economia brasileira nos próximos três anos. Apresentando gráficos e tabelas para mais de 55 empresários espanhóis que vieram participar, hoje, (segunda-feira) do seminário "Brasil-Espanha: Novas Parcerias Econômicas", os dois executivos disseram que os dados macroeconômicios do País começam a apresentar "sensível e impressionante" reação, depois da crise do início deste ano.
Horta Osório disse que a economia brasileira este ano deve retrair-se não mais do que 0,7%. "A queda será bem menor, em comparação com as previsões feitas logo depois crise cambial, que indicavam taxas de até 1,8%", disse o executivo do Santander. Para Benedito, do BBV, o PIB brasileiro este ano deve cair 0,9%, mas já no próximo ano deverá apresentar um crescimento de 3,5%.
Tanto o Santander como o BBV prevêem uma inflação de entre 5% e 6% (IPC-Fipe), com a qual a taxa de juros real até o final do ano não deverá passar de 10%. "Em consequência da queda da inflação, haverá um grande espaço para reduzir as taxas de juros a um partamar de 16% a 17%", explicou Horta Osório. Para ele, uma nova crise cambial está afastada, razão pela qual a taxa de câmbio deve fechar este ano entre R$ 1,70 e US$ 1,80.
"O problema do Brasil não foi o défict fiscal, mas o resultados das transações correntes, que cresceram muito entre 1994 e 1998 e chegaram a 4,45 do PIB", disse Horta Osório, tentando justificar a crise cambial em janeiro deste ano. De acordo com ele, a desvalorização do real deve reduzir o défict da conta corrente de US$ 35 bilhões para US$ 21,5 bilhões.
Outro indicador econômico que parece estar deixando otimista o executivo do Banco Santander é o da balança comercial. De acordo com Horta Osório, o Brasil deve chegar a uma superávit comercial de pelo menos US$ 3,2 bilhões até o final do ano. "Somando aos US$ 18 bilhões de investimentos diretos previstos para este ano, esses recuros serão fundamentais para o financiamento de pelo menos 80% das contas externas do Brasil", disse o executivo.
Para o presidente do BBV, o Brasil está entrando em um "círculo virtuoso" de crescimento. "Mas isso também não quer dizer que já estamos no melhor dos mundos", alertou o executivo do BBV. Benedito disse também que, contrário do que as pessoas pensam, as privatizações representaram no ano passado taxa menor no volume de investimentos diretos totais no Páis. De acordo com o executivo do Bilbao Vizcaya, dos US$ 26 bilhões registrados como investimento diretos em 1998, 35% foram direcionados às privatizações e 45% foram investimentos diretos feitos por multinacionais. "Isso prova a confiança no Brasil", acrescentou.


