Rio, 26 (AE) - Um dia depois de o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, chamar a direção do partido no Rio de irresponsável por sair do governo de Anthony Garotinho (PDT), seu novo presidente no Estado, deputado Carlos Santana, admitiu a possibilidade de a legenda voltar à administração estadual. O parlamentar disse que o novo diretório regional começará no próximo domingo a discutir a crise com o pedetista e afirmou que a possibilidade de volta existe. Antes disso, porém, todos os petistas no governo deverão entregar seus cargos, para que a negociação comece. "Se o diretório regional decidir essa questão, claro que (o partido) poderá (voltar a ) ocupar (postos)", disse Santana. O parlamentar disse, porém, que o debate, para o PT, é político. "Não queremos reduzir a nossa discussão a cargos", advertiu. A decisão de entregar os postos ocupados pelo partido no Executivo fluminense foi tomada no último domingo pelo 18º Encontro Estadual, porque Garotinho chamou o PT de "Partido da Boquinha", que só estaria interessado em vagas na máquina pública.
Santana demonstrou tranquilidade ao comentar a demissão de petistas ligados a seu grupo e aliados (foram publicados hoje, no Diário Oficial, 45 atos de exoneração). "O governador pode demitir, tem todo o poder da caneta", afirmou." O parlamentar afirmou que não há "nenhum rompimento com o governo Garotinho" e disse achar que Lula estava refletindo sobre o que dissera ao acusar a direção do PT do Rio irresponsabilidade. "Acho que, a partir dos entendimentos, (Lula) vai saber o que foi aprovado", afirmou. "Acho que (ao falar) ainda não sabia bem que o diretório tinha aprovado na convenção."
Santana acertou hoje com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, a realização de uma reunião da frente que apóia Garotinho para discutir a crise, no dia 3. Os dois se encontraram na residência de Brizola, em Copacabana.
Na reunião, o presidente nacional do PDT queixou-se de Garotinho com os petistas Santana e Domício Mascarenhas, ex-presidente da legenda no Estado. Brizola reclamou que o governador não consultou o PDT para nomear o secretariado, criticou a nomeação de Sérgio Zveiter para a Secretaria de Justiça e questionou as relações do governador com setores evangélicos.
"Queremos fazer uma discussão como frente, não como partido", afirmou Santana, ao sair do encontro. "Para nós, é fundamental a manutenção da frente; vamos criar essa frente em cada município deste Estado." O deputado sorriu ao comentar declarações de Garotinho, que afirmou que existem dois PTs, um que o ama, e outro que o detesta. "Todos nós amamos o governo do Garotinho, não existe quem ame e quem deteste", disse.

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