Santa Elisa investirá R$ 80 mi na co-geração de energia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 11 (AE) - Pelo menos R$ 80 milhões deverão ser investidos pela Companhia Energética Santa Elisa, de Sertãozinho, para a instalação de uma usina co-geradora de energia, com capacidade para 50 MW de potência, anunciou hoje o presidente da empresa, Maurílio Biagi Filho. Segundo ele, o projeto deve estar concluído até 2002 e prevê ainda uma parceria com a Usina Vale do Rosário, de Morro Agudo, para a venda da energia, proveniente do bagaço de cana-de-açúcar. A Vale do Rosário não informou quanto pretende investir na instalação de uma usina nos mesmos moldes da Santa Elisa dentro de sua própria unidade, mas segundo Biagi, a capacidade de co-geração da Vale será de 100 a 150 MW, fazendo com que juntas elas possam fornecer até 200 MW, o equivalente para abastecer um município com 1.5 milhão de habitantes, por exemplo.
A previsão, segundo Biagi, é de que dentro de três anos
quando as usinas co-geradoras já estiverem instaladas, o processo de fornecimento de energia corresponda a 30% do faturamento da empresa. "Isso trará ganhos para a usina, que deixará de depender do mercado externo, ditando o preço do açúcar e do fornecimento de álcool, por exemplo. É uma terceira e excepcional fonte de renda", comentou. Segundo ele, para compensar os investimentos na nova usina, no entanto, a energia não deverá ser vendida por menos de R$ 55 o MW.
Hoje a empresa já comercializa cerca de 8,5MW com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) por R$ 40,00 o MW. No total, a Santa Elisa produz 30 MW, dos quais consome 20MW.
O projeto de instalação das usinas fornecedoras de energia teve como primeiro passo o contrato inédito no País, firmado entre a Santa Elisa, a Vale do Rosário e a Enron, para suprir a Elfusa, produtora de óxido de alumínio, em São João da Boa Vista (SP). Em operação desde o dia 1º, o projeto é o primeiro na história do País, no qual uma indústria recebe eletricidade de uma geradora instalada fora da região onde é abastecida. A operação foi possível somente pela existência de um novo operador no negócio: a comercializadora de energia, no caso, a Enron, que comprou a energia disponível das duas usinas e utiliza os cabos de distribuição da CPFL, Cesp e Elektro.
A Enron é uma das quatro comercializadoras que receberam autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para operar no negócio. "Este é um setor que, em breve, estará sendo descoberto e não foi à toa que a Santa Elisa mudou seu nome de Usina para Companhia Energética há dois anos", lembra Maurílio Biagi, referindo-se ao processo de fusão da empresa com a Usina São Geraldo e Bradesco. Pelo contrato, as duas usinas fornecem cada uma apenas 1,5 MW para a Enron, que repassa para a Elfusa. "O volume ainda é pequeno, mas estamos interessados na alavancagem do processo", disse. A Enron deverá pagar os mesmos R$ 40,00 cobrados da CPFL por MW.
Com a compra de energia gerada a partir do bagaço da cana, a Elfusa, informou sua assessoria, deverá economizar entre 5% e 10% do total que seria gasto com a energia convencional. Segundo informou a assessoria, a empresa pertencente ao grupo de mineração Corumbaba, que extrai bauxita em Poços de Caldas (MG), 32,5 MW de energia. O volume adicional que está recebendo desde o início de agosto, de 3MW, é responsável por atender a um pedido adicional de 500 toneladas de óxido de alumínio, sendo que a empresa produz mensalmente R$ 4,5 mil toneladas.


